O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno nesta segunda-feira (5), citando a "mensagem" das urnas contra os "intocáveis de Brasília". Zema ficou em sexto lugar no 1º turno, com 0,27% dos votos.

Foram 326.488 votos, o equivalente a menos de um terço de um ponto percentual.

Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro. Ainda temos uma grande batalha. Dia 25, derrotar o Lula e o PT. Eu não vou me omitir, nem ficar em cima do muro neste momento importante.

Zema também citou a bancada de direita eleita para o Congresso. Disse acreditar que o número de parlamentares em 2027 será suficiente para avançar com o impeachment de ministros do STF, alvo recorrente de suas críticas na campanha.

O movimento já vinha sendo sinalizado desde o fim de setembro, quando Zema, Caiado e Renan Santos indicaram publicamente a quem recorreriam num eventual 2º turno Lula x Flávio.

A campanha de Flávio, aliás, corre para fechar essas alianças antes do início oficial da disputa.

Nem todos os derrotados seguiram o mesmo caminho, porém. Augusto Cury e Renan Santos, 3º e 4º colocados, decidiram não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos. Já Ronaldo Caiado formaliza apoio a Flávio nesta terça (6), caminho oposto ao da dupla.

"Os dois candidatos, se quiserem aproveitar nossas propostas, estão disponíveis para serem aproveitadas", disse Cury. Renan Santos foi mais direto. "Não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido, mas não faz diferença nenhuma."

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Como foi em 2022

A disputa deste ano é apertada. Flávio tem 47,03% dos votos do 1º turno, contra 45,16% de Lula, margem de 1,87 ponto. Em 2022, a margem final entre Lula e Jair Bolsonaro foi parecida, de 1,8 ponto.

Naquele ano, quem apoiou Lula no 2º turno foram Simone Tebet, terceira colocada com 4,16% dos votos, e o PDT de Ciro Gomes, quarto colocado. As duas candidaturas somaram cerca de 7% dos votos, quinze vezes mais que os 0,27% de Zema agora.

A conta do impeachment não fecha

O Senado eleito no último domingo (4) terá ao menos 49 parlamentares favoráveis ao impeachment de ministros do STF a partir de 2027, somando os 14 senadores com mandato até 2030 que já defendem a medida aos 35 eleitos que também apoiam.

Para afastar um ministro, porém, são necessários 54 votos, dois terços das 81 cadeiras do Senado. Com 49 parlamentares favoráveis, a bancada pró-impeachment fica a cinco votos do mínimo.

O ponto em aberto

A disputa de 2026 chega ao 2º turno tão apertada quanto a de 2022, quando pequenas frações de voto ajudaram a decidir o resultado final.

A pergunta que fica é se um apoio de 0,27%, como o de Zema, pesa tanto quanto o de Tebet e Ciro em 2022, ou se funciona mais como gesto político do que como voto de fato transferido.