Pecuaristas brasileiros estão recorrendo a linhas de crédito privado para financiar a compra de animais e ampliar o confinamento, diante de bancos mais restritivos e exigência maior de garantias. Nesse modelo, o próprio gado confinado serve de garantia da operação.
A busca por crédito privado ocorre num momento em que o crédito rural tradicional caiu pela 2ª safra consecutiva, segundo dados do setor.
No modelo oferecido pela fintech Plantae Agrocrédito, o produtor usa o gado já no confinamento como garantia, sem precisar oferecer terra ou outros imóveis. Isso permite antecipar recursos de animais ainda não vendidos para comprar um novo lote de reposição.
"Cada vez mais o boitel está crescendo, o confinamento dentro da pecuária brasileira. E, consequentemente, o mercado financeiro não estava se adaptando a isso", afirma Henrique Schardong, diretor comercial da Plantae.
Para Schardong, monetizar o boi ainda no confinamento, antes da venda, é o que acelera o giro de capital dentro da fazenda.
Por que o crédito tradicional não acompanhou o confinamento?
O crédito bancário tradicional segue concentrado em operações com garantias reais, principalmente terras. Mas o confinamento cresceu mais rápido do que esse modelo conseguiu acompanhar, segundo o setor.
O confinamento de bovinos no Brasil deve crescer 5,7% em 2026, para cerca de 9,78 milhões de cabeças, segundo o Imea. Mato Grosso lidera o volume confinado, com 2,4 milhões de animais.
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A conta tem fechado para o produtor. O lucro do confinamento de bovinos se manteve acima de R$ 1 mil por boi em junho.
A demanda também ajuda. A exportação de carne bovina aos Estados Unidos subiu 385% mesmo com o tarifaço imposto pelo governo americano.
O mercado também entra em uma fase de retenção de matrizes, depois de um período de alto abate de fêmeas, o que tende a reduzir a oferta de animais nos próximos meses.
Em setembro, a arroba do boi já havia chegado a R$ 360 em São Paulo, puxada pela oferta mais baixa.
O que acontece agora
A tendência, segundo o setor, é que mais pecuaristas recorram a esse tipo de crédito enquanto bancos tradicionais mantiverem as exigências de garantia em patamar elevado.





























