O físico Eric Cornell, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2001, diz estar "um pouco nervoso" com o avanço acelerado da inteligência artificial. Em entrevista ao Poder360, ele afirma não haver garantia de que a tecnologia vá mudar a sociedade para melhor.

Cornell, 64 anos, é professor na Universidade de Colorado Boulder. Ele não é o vencedor do Nobel de Física deste ano, prêmio que foi anunciado nesta terça-feira (6) para o físico Francis Halzen, por pesquisas sobre neutrinos.

Cornell venceu o Nobel em 2001, aos 39 anos, por comprovar uma teoria formulada em 1925 por Albert Einstein e pelo físico indiano Satyendra Nath Bose.

Ao lado de Carl Wieman e Wolfgang Ketterle, ele criou o Condensado de Bose-Einstein, um novo estado da matéria obtido na temperatura mais fria possível do universo.

Cornell detalhou o que sente sobre a velocidade das mudanças durante visita do Poder360 ao Jila, instituto de astrofísica em Boulder, no Colorado.

Estou impressionado e talvez um pouco preocupado com a velocidade com que as coisas estão mudando e acho que isso terá impactos imensos. Espero que sejam bons impactos, mas não posso dizer com certeza. Diria que estou um pouco nervoso.

Cornell diz não usar IA com frequência no dia a dia, embora seus alunos usem "o tempo todo". Questionado se incorpora a tecnologia à própria rotina, ele brincou que acha que é "muito velho para isso".

Qual é a pesquisa que rendeu o Nobel de Física deste ano?

O Nobel de Física de 2026 foi para Francis Halzen, físico belga-americano da Universidade de Wisconsin-Madison, por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube, instalado em um quilômetro cúbico de gelo na Antártida.

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Halzen, de 82 anos, apresentou a ideia de rastrear neutrinos no gelo antártico em 1988. O projeto detecta partículas de altíssima energia vindas do espaço, batizadas de "mensageiras fantasmagóricas" pelo presidente do comitê do Nobel, Mark Pearce.

No mesmo dia em que a ciência celebrava uma descoberta sobre partículas quase indetectáveis, um dos seus nomes mais premiados alertava para os limites do que a tecnologia mais visível do momento, a IA, ainda não sabe garantir.

Cornell não é o único nome de peso a expressar cautela. Geoffrey Hinton, considerado o "padrinho da IA", já disse que o sistema pode eliminar humanos sem intenção.

Do outro lado do debate, líderes de IA tentam tranquilizar a opinião pública sobre o desemprego gerado pela tecnologia.

No Brasil, o debate também avança devagar. O projeto de lei da IA prevê multa de até R$ 50 milhões, mas segue sem votação no Congresso.

O que acontece agora

Cornell segue na pesquisa de física fundamental em Boulder, cidade que hoje concentra institutos e empresas da computação quântica, o campo que ele ajudou a abrir. O debate sobre os limites da IA, segundo ele, ainda não tem resposta.