O governador eleito de Minas Gerais e senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) reafirmou nesta segunda-feira (5) que vai apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno. Ele disse que ainda não falou com Flávio, mas quer discutir a renegociação da dívida do Estado com a União.
"Eu estou fazendo isso pelo povo mineiro, eu tenho que defender agora os interesses povo mineiro, que a gente possa negociar essa dívida, inclusive as prestações que a gente paga, que esse dinheiro possa ser revertido para infraestrutura, para investimento dentro de Minas Gerais", disse Cleitinho.
O problema é que a dívida já tem acordo fechado. Em 2025, Minas aderiu ao Propag, programa que trocou o Regime de Recuperação Fiscal por um parcelamento mais longo, aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa.
O saldo da dívida soma R$ 179,3 bilhões, com base em dezembro de 2025. O acordo permite pagar em até 30 anos, sem juros além da variação da inflação, e Minas já ofereceu R$ 35,8 bilhões em ativos à União, incluindo participação na Cemig.
O que ainda dá para negociar
Com os termos já definidos e aprovados, o espaço de Cleitinho para renegociar é mais estreito do que a declaração sugere. O ponto mais citado por críticos do acordo é o peso dos juros cobrados pela União, não o valor principal da dívida.
Em sabatina no início de outubro, o candidato a vice-governador Jarbas Soares (PSB), da chapa derrotada de Patrus Ananias, disse que o Propag "não foi bom" para Minas, mas reconheceu que era melhor do que o regime anterior.
Também candidato derrotado à Presidência, o ex-governador Romeu Zema (Novo) já havia prometido recalcular a dívida de Minas se fosse eleito, citando juros que considerava extorsivos.
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Cleitinho venceu a disputa pelo governo de Minas no 1º turno, no domingo (4), e foi eleito governador.
O que fica para negociar de verdade
A dívida de Minas já tem prazo, taxa e garantias definidos em lei estadual. O que resta em aberto é mais estreito do que a retórica de campanha sugere: ajuste nos juros, prazo de entrega dos ativos ou compensações pontuais, não uma renegociação do zero.
A pergunta que fica é se o apoio a Flávio rende a Minas algo além do que o Estado já conseguiu sozinho, antes mesmo da eleição.





























