Candidatos derrotados na disputa presidencial já sinalizam apoio para um eventual 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, cenário reforçado pelo Datafolha, que mostra os dois empatados. Romeu Zema (Novo) indicaria o senador; Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) rejeitam os dois lados.
O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para 4 de outubro, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se nenhum candidato atingir maioria absoluta dos votos válidos, o 2º turno ocorre em 25 de outubro.
Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro apontou Lula com 46% das intenções de voto no 2º turno contra 44% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento é registrado no TSE sob o número BR-03669/2026, foi contratado pelo Grupo Folha e pela Globo, e ouviu 2.002 pessoas entre 1º e 3 de setembro, com 95% de confiança.
Quem já sinalizou apoio
Romeu Zema foi o mais direto. Ao deixar um debate promovido pela revista Veja em São Paulo na noite de terça-feira (23), o governador de Minas Gerais respondeu sobre um 2º turno Lula x Flávio com uma frase só.
Onde o PT estiver, eu estarei contra.
Ronaldo Caiado tomou o caminho oposto. Durante a apresentação de seu plano de governo para a Saúde, o candidato do PSD negou apoiar Lula. “Sempre fui oposição ao Lula”, disse, mas evitou citar Flávio diretamente.
A fala de Caiado veio dias depois de seu vice na chapa, Gilberto Kassab, afirmar que os partidos do Centrão sem candidatura própria estão, na avaliação dele, alinhados com Lula. Kassab chamou de zero a chance de colaboração com Flávio.
Os que rejeitam os dois lados
Renan Santos (Missão) recusa qualquer apoio a Flávio. Os dois trocam farpas em público desde o início da pré-campanha.
Em maio, Renan disse que o senador “constrange as pessoas” ao explicar seus encontros com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de intervenção do Banco Central.
Augusto Cury (PMB) afirma que não apoiará nenhum dos dois candidatos caso o 2º turno se confirme.
A margem entre Lula e Flávio no 2º turno encolheu nos últimos dois meses. Com a disputa técnica empatada, cada candidato derrotado que sinaliza apoio pesa mais no resultado final. Ao todo, treze candidatos disputam a Presidência em outubro.
A equipe de Flávio aposta em terminar o 1º turno à frente de Lula para negociar com o Centrão a partir de uma posição de força.
Antes do início oficial da campanha, o senador tentou atrair União Brasil, Progressistas, Republicanos e MDB, mas as siglas preferiram liberar os diretórios estaduais, e o PL ficou sozinho na disputa presidencial.
O que acontece agora
Os treze presidenciáveis seguem em campanha até o primeiro turno, em 4 de outubro. Se Lula e Flávio confirmarem a ida ao 2º turno, o apoio dos candidatos derrotados vira moeda de negociação nas três semanas seguintes, até a votação de 25 de outubro.

































