O varejo brasileiro chegou ao fim do primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, alta de 20,4% em 12 meses, segundo o Monitor RGF-BIZDOC, levantamento feito com dados da Receita Federal. O número inclui casos recentes como os da Casas Bahia e da Marabraz.

A Casas Bahia pediu recuperação judicial com uma dívida de R$ 17,3 bilhões. A rede vinha de 20 trimestres seguidos de prejuízo desde 2019 e fechou 298 lojas, o equivalente a 29% da rede.

A Marabraz protocolou o próprio pedido na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com dívida de R$ 140,2 milhões.

Segundo o consultor Matheus Matos, da MA7 Capital, a rede "perdeu o controle dos imóveis que davam garantia às linhas de crédito" depois de conflitos societários, o que levou bancos a reduzir limites e aumentar custos.

A Tok&Stok, do Grupo Toky, pediu recuperação judicial em 12 de maio. O pedido afetou a confiança de fornecedores e provocou rupturas de estoque.

Para Matos, a crise do setor se relaciona a juros elevados, com a Selic em 14% ao ano, à restrição de crédito e à redução do consumo, fatores que afetam principalmente o capital de giro das varejistas.

Apesar dos casos recentes, o varejo tem a menor densidade de recuperações judiciais entre os grandes setores da economia: 0,16 caso para cada mil empresas ativas, ante uma média nacional de 0,30.

O ritmo de novos pedidos também vem caindo. Foram 57 recuperações judiciais no quarto trimestre de 2025, 44 no primeiro trimestre de 2026 e 17 entre abril e junho.

O detalhe que foge da média do varejo

Os postos de combustíveis concentram 182 recuperações judiciais, ou 18,5% de todo o varejo em dificuldade. A incidência no segmento é de 3,61 casos para cada mil empresas ativas, 22 vezes a média do setor, com alta de 31,9% em 12 meses.

Apesar do volume de recuperações, os postos de combustível somam só 30 falências no período.

O varejo como um todo soma 686 falências, uma para cada 0,7 empresa em recuperação judicial.