O presidente chinês Xi Jinping defendeu nesta terça-feira (18), em reunião com o presidente do Equador, Daniel Noboa, que os países latino-americanos têm direito à independência e à autossuficiência na escolha de parceiros internacionais. A declaração ocorre no mesmo semestre em que o comércio do Brasil com a China bateu recorde histórico.
O encontro aconteceu no Grande Salão do Povo, em Pequim. Noboa começou uma visita de uma semana à China no domingo (16), com agenda comercial, apesar de ser um aliado próximo do presidente americano Donald Trump.
Como resultado concreto, a China restaurou as licenças de exportação de oito processadoras de camarão equatorianas, que haviam perdido a autorização sanitária. O camarão é a segunda maior exportação do Equador, atrás do petróleo.
Os dois presidentes também trataram de cooperação em energia, mineração, infraestrutura e finanças.
A mensagem de Pequim, porém, contrasta com os números do próprio comércio brasileiro.
As exportações do Brasil para a China somaram US$ 58,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 22% sobre o mesmo período do ano passado, o maior valor já registrado para um primeiro semestre.
As importações vindas da China somaram US$ 38,5 bilhões, também recorde. A corrente de comércio bilateral chegou a US$ 96,9 bilhões.
O saldo comercial com a China foi positivo em US$ 19,8 bilhões. Isso equivale a 47% de todo o superávit comercial brasileiro no período.
A soja segue na liderança das exportações, com US$ 20,2 bilhões, 34,7% de toda a pauta exportadora brasileira para o país. As exportações de petróleo somaram US$ 15,1 bilhões, novo recorde.
No total, a China respondeu por 31,6% de todas as exportações brasileiras no primeiro semestre. Quase um terço do que o Brasil vende ao mundo tem um único comprador.
Autonomia para quem depende tanto assim?
Xi oferece à região o discurso da livre escolha de parceiros. Ao mesmo tempo, o maior país da América Latina caminha para depender de um único comprador por quase um terço do que exporta.
Falta saber se esse grau de concentração é compatível com a autonomia que a China promete, ou se substitui uma dependência por outra.


























