Dados divulgados pela NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, apontam mais de 90% de probabilidade de o Brasil enfrentar, entre o fim de 2026 e o início de 2027, um El Niño muito forte, com 69% de chance de ser o mais intenso desde que os registros começaram, em 1950.

As medições de julho já mostram o oceano aquecido. O índice Niño 3.4, referência para medir o fenômeno, estava em +1,4°C, e a temperatura chegou a +2,9°C acima da média na região Niño 1+2, no Pacífico equatorial leste.

A NOAA projeta que o índice pode chegar a 2,5°C ou mais entre outubro e dezembro deste ano, no pico do fenômeno. O episódio deve persistir até pelo menos março de 2027.

Um boletim conjunto do Inmet, do Inpe, da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Cemaden projeta 63% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro, o que poderia classificá-lo como um super El Niño.

No Sul, o risco é de chuva em excesso. O Inmet prevê aumento significativo do volume de chuvas entre setembro e dezembro, com Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentrando o maior risco de enchentes, alagamentos repentinos e deslizamentos.

No Norte e no Nordeste, o efeito esperado é o oposto. A previsão é de menos chuva e temperaturas mais altas, com maior vulnerabilidade a secas prolongadas.

No Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia, o boletim aponta o maior risco de incêndios entre julho e setembro, em áreas de Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e do Matopiba.

O fenômeno também pesa no bolso. Especialistas estimam que o El Niño pode adicionar quase 1 ponto percentual à inflação geral em 2026. Em 2024, ele sozinho encareceu a comida no prato do brasileiro em mais de 2%.

Mesmo assim, a Conab projeta que a safra brasileira de grãos chegue a 353 milhões de toneladas, um novo recorde. O risco está em lavouras específicas: trigo e cana no Sul, pelo excesso de umidade, e milho, feijão e mandioca no Norte e no Nordeste, pela seca.

O que ainda não está garantido

Os boletins descrevem o risco climático com precisão. O que eles não respondem é se a resposta vai acompanhar a magnitude anunciada.

As áreas de maior risco de enchente no Sul e de incêndio no arco da Amazônia já foram mapeadas pelo próprio governo. Falta saber se a prevenção chega antes do pico do fenômeno, esperado para o fim do ano.