O ator Sylvester Stallone, 80 anos, revelou ao New York Times, em entrevista publicada neste sábado (26), que se tornou bulímico e recorreu a esteroides para chegar a 2,6% de gordura corporal durante as filmagens de "Rocky III", no auge da carreira.

Ele diz ter pagado um preço físico alto pela obsessão.

Stallone contou que buscava um corpo "mais feroz" ao viver o Rambo. "Eu pensei que queria projetar meu corpo como uma onça, um gato. Não grande como Arnold (Schwarzenegger), mas mais feroz, muito flexível e atlético", disse.

A busca virou obsessão. "Cheguei ao ponto de me tornar bulímico e ter 2,6% de gordura corporal quando filmava 'Rocky III', não conseguia reter nada no estômago", relatou o ator, que descreveu o próprio comportamento da época como "muito masoquista".

Sobre o uso de esteroides, Stallone não deixou dúvida: "Ninguém consegue isso sem aditivos e drogas, ponto final." Segundo ele, o uso seguia um ciclo controlado de seis semanas sim, seis semanas não.

O ator reconhece que o resultado não veio de graça. "As pessoas dizem que você não fica assim naturalmente, e não ficam. Mas tem um preço terrível", afirmou.

O preço físico da obsessão

Aos 80 anos, Stallone soma 9 cirurgias nas costas, 2 nos ombros e 3 fusões cervicais, sequelas do esforço físico extremo ao longo da carreira, segundo a mesma entrevista.

O uso de esteroides sem acompanhamento médico é associado a riscos cardíacos e hormonais sérios. Um médico já alertou sobre os perigos dos anabolizantes após a morte de um fisiculturista brasileiro.

A obsessão por baixo percentual de gordura também tem efeito sobre a saúde mental. Especialistas já relacionaram a magreza extrema a impactos na saúde mental de jovens, tema que ganhou força nos últimos anos.

Segundo Stallone, ele só deixou a obsessão ao fazer "Cop Land", em que interpretou um agente parcialmente surdo e acima do peso. O ator voltou à imprensa nesta semana ao revelar que recusou um cargo de Donald Trump ligado a Hollywood.

Hoje, Stallone diz enxergar a fase de forma diferente. "Se eu pudesse fazer tudo de novo, diria: 'Deixem outra pessoa carregar o estandarte e não façam suas próprias acrobacias'", refletiu.