O CEO do banco Inter, Alexandre Riccio, defendeu nesta semana que o Brasil precisa de um ajuste fiscal para reduzir estruturalmente os juros e destravar investimentos. A fala reacende um debate que já dura mais de um ano entre governo e mercado financeiro.

"A gente precisa de um ajuste fiscal. A gente precisa mesmo de focar na eliminação desses gargalos para que o Brasil tenha um crescimento no longo prazo que permita uma expansão sem inflação e, como consequência, uma taxa de juros estrutural mais baixa", disse Riccio.

A TV Sim Brasil já mostrou como o déficit fiscal afeta a confiança dos investidores em títulos públicos, tema que Riccio associa diretamente aos juros altos.

O Ministério da Fazenda projeta, no relatório Prisma Fiscal de 15 de setembro, déficit primário mediano de R$ 52,271 bilhões para o Governo Central em 2026. O número caiu de R$ 59,145 bilhões na projeção de agosto.

Um ano antes, em outubro de 2025, a projeção de mercado era bem mais pessimista, com déficit estimado em R$ 96,6 bilhões, segundo o economista Felipe Salto, da Warren Investimentos. Em um ano, a expectativa de rombo caiu mais de R$ 44 bilhões.

Ainda assim, o 1º semestre de 2026 fechou com déficit de R$ 92,9 bilhões, e o TCU projeta R$ 59,8 bilhões para o ano. A distância entre a melhora no papel e o rombo ainda alto separa o discurso do mercado do discurso do governo.

A meta oficial para 2026 é de resultado zero, dentro de um intervalo de tolerância de 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões. A TV Sim Brasil já explicou por que o governo consegue cumprir a meta mesmo no vermelho.

Desde 2025, o ministro Fernando Haddad já defendia a meta e atribuía a pressão fiscal a despesas herdadas, como emendas parlamentares (de R$ 5 bi para R$ 53 bi), BPC, precatórios e o novo Fundeb, soma que passa de R$ 150 bilhões.

Na mesma declaração de 2025, Salto alertou que a meta poderia precisar ser revista diante da dificuldade de cumpri-la mesmo no piso do resultado zero.

A Selic já caiu para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de 0,25 ponto desde março, quando estava em 15%. A TV Sim Brasil já mostrou que a Selic está no mesmo patamar de quando Lula tomou posse.

O ponto em aberto

Riccio associa o ajuste fiscal aos planos do governo que assumir em janeiro. Já a atual gestão descarta mudar a meta antes disso, mesmo com a mediana de mercado ainda R$ 21 bilhões acima do teto de tolerância.

A resposta chega com o resultado da eleição e o relatório de 2027.