Injeções de ácido hialurônico usadas para aumentar o pênis provocam complicações em cerca de 9% dos homens que passam pelo procedimento, segundo um estudo recente. Os efeitos vão de hematomas e nódulos a infecções graves, que podem evoluir para falência de múltiplos órgãos.
O procedimento promete aumento de circunferência e, segundo alguns relatos, mais prazer para a parceira. Um estudo coreano mediu ganho médio de 2,3 cm no órgão flácido, quase 30%, mas mais da metade dos homens precisou de injeção de retoque para corrigir irregularidades.
O efeito também não dura. Em 18 meses, cerca de 44% do aumento já havia sido perdido, porque o corpo produz uma enzima que degrada o preenchimento aos poucos.
É possível reverter o preenchimento malsucedido com hialuronidase, mas o efeito leva horas para aparecer.
Quais são os riscos do procedimento
As complicações vão de hematomas e inchaço a nódulos e protuberâncias no órgão. Nos casos mais graves, há irritação cutânea, degradação de tecido e infecção, que pode evoluir para falência de múltiplos órgãos.
O momento em que os problemas aparecem varia. Hematomas costumam surgir na primeira ou segunda semana, e nódulos aparecem por volta da terceira. Infecções costumam surgir entre a sexta e a sétima semana, mas podem aparecer anos depois do procedimento.
Em casos extremos, já houve necrose que exigiu a remoção de parte do pênis. Em março, o influenciador Igho Ubiribo morreu de embolia pulmonar depois de um procedimento de preenchimento peniano.
O que diz a regulação brasileira
No Brasil, a Anvisa classifica o ácido hialurônico e outros preenchedores dérmicos como produtos de risco alto ou máximo, e recomenda que sejam usados só dentro das indicações aprovadas em bula. A aplicação fora dessas indicações aumenta o risco de complicação, segundo a agência.
Em nota técnica de março, a Anvisa citou riscos graves como embolia pulmonar, perda de visão por obstrução vascular e insuficiência renal que pode exigir diálise.
É o mesmo tipo de risco que já apareceu em mortes recentes ligadas a procedimentos estéticos no Brasil.
No país, procedimentos estéticos invasivos só podem ser feitos por médicos inscritos no CRM, conforme a resolução do CFM que já baniu o PMMA de procedimentos estéticos no país.
Mortes após procedimentos estéticos malfeitos não são inéditas no Brasil. Em setembro, uma professora morreu depois de uma injeção contra queda de cabelo aplicada em um salão de beleza, em Ceilândia (DF).
O CFM já pediu à Anvisa restrição total do PMMA no mercado brasileiro, embora a proibição hoje valha só para o uso médico do produto.





























