A avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 47% neste sábado (26), maior índice da série histórica do Datafolha iniciada em 2019. Em maio, a rejeição era de 40%, e a aprovação caiu a 18%, a mais baixa desde 2019.
Outros 31% classificam o trabalho da corte como regular, e 4% não opinaram. O instituto ouviu 2.002 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança.
A pesquisa foi contratada por Folha e Globo e está registrada no TSE sob o número BR-00304/2026.
A avaliação da corte divide o eleitorado quase ao meio de cada lado da disputa presidencial. Entre eleitores de Lula (PT), 32% aprovam o trabalho dos ministros, contra 6% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL).
Na ponta negativa, o padrão se inverte. 69% dos eleitores de Flávio consideram o trabalho da corte ruim ou péssimo, ante 24% dos eleitores de Lula.
O que o eleitor aceita e o que rejeita nos ministros
O Datafolha também testou seis condutas possíveis de ministros do STF, perguntando se seriam aceitáveis ou não. A mais rejeitada, julgar processo de parte cujo advogado é parente do ministro, é inaceitável para 88% dos entrevistados.
| Conduta do ministro | Considera inaceitável |
|---|---|
| Julgar processo de parte cujo advogado é seu parente | 88% |
| Aceitar convite para evento pago por empresa com ações no STF | 85% |
| Decidir de forma a beneficiar/prejudicar candidato a presidente | 82% |
| Ser sócio de empresa privada durante o mandato | 78% |
| Receber pagamento por palestra de empresa privada | 78% |
| Dar entrevista sobre processo ainda em julgamento | 71% |
Mesmo a conduta menos rejeitada da lista, dar entrevistas sobre processos em julgamento, ainda é considerada inaceitável pela maioria dos entrevistados.
Como fica o código de ética proposto por Fachin
A maioria do eleitorado apoia a criação de um código de ética para ministros do STF. 45% são a favor (23% totalmente, 23% em parte), contra 33% que se opõem. Outros 5% não têm opinião formada, e 17% não sabem.
A proposta é uma das bandeiras do presidente do STF, Edson Fachin, que já havia indicado a ministra Cármen Lúcia como relatora do código de ética no início do ano.
"Um código de ética tem também um componente, digamos, de natureza material, histórico, cultural. Ele é também um conjunto de práticas", disse Fachin, ao defender o debate sobre o tema dentro da corte.
O recorde de rejeição não é isolado. Só nesta semana, outro recorte do próprio Datafolha apontou o STF como a instituição mais desconfiada do país, tendência que se repete em pesquisas de outros institutos.
A corte também enfrenta desgaste interno. O ministro André Mendonça pediu investigação a Fachin em meio a um bate-boca público com Alexandre de Moraes, episódio que expôs divergências entre os próprios ministros.
O ponto em aberto
O código de ética depende de aprovação dos próprios ministros, não da opinião pública. A pesquisa mostra apoio popular de 45% à ideia, mas não há data marcada para o colegiado votar a proposta relatada por Cármen Lúcia.





























