O Brasil e a China assinaram neste sábado (26) protocolo sanitário que libera a exportação de miúdos suínos brasileiros (fígado, rim e estômago) para a China, sem cota de importação. O acordo foi firmado pelo ministro André de Paula e pelo embaixador chinês Zhu Qingqiao.
A cerimônia ocorreu na sede do Mapa, em Brasília. A abertura contempla apenas os miúdos internos do suíno, sem incluir cortes de carne, e amplia o que o Brasil já podia vender à China.
Até agora, o país só exportava miúdos externos, como patas e orelhas, em condições restritas. Com o protocolo assinado, as empresas já habilitadas podem pedir ao Mapa a extensão do escopo para os novos itens.
Para a indústria, a abertura pode representar US$ 100 milhões adicionais em receita, segundo estimativa do setor repassada pelo Mapa. O valor equivale a cerca de 4% de tudo que o Brasil faturou com carne suína neste ano.
Entre janeiro e agosto de 2026, o setor suíno faturou US$ 2,447 bilhões com exportações, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O que abriu caminho para o acordo
O avanço veio depois de a China reconhecer, em junho, todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, decisão que ampliou as tratativas sobre produtos de origem animal.
A eliminação das restrições sanitárias ao Brasil em junho foi o gatilho técnico que faltava. A negociação em si já vinha sendo tratada havia cerca de um ano.
O acordo avançou durante a missão oficial brasileira à China em maio, quando o Mapa e a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) fecharam os entendimentos técnicos sobre os requisitos sanitários.
O mesmo encontro tratou ainda do retorno de três frigoríficos de carne bovina suspensos e do início de certificação eletrônica para produtos cárneos.
A China importou US$ 51,4 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025, quase metade do comércio bilateral entre os dois países naquele ano.
Os miúdos suínos, diferentemente da carne bovina, não entram na cota de importação que a China aplica ao Brasil. É uma vantagem que ganha peso porque a cota bovina está perto do limite.
O setor calcula que a cota de carne bovina deve se esgotar até abril de 2027, o que não afeta os novos embarques de miúdos suínos.
Nos oito primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras de carne suína somaram 1,057 milhão de toneladas, alta de 8,9% sobre o mesmo período de 2025.
Só em agosto, os embarques para a China chegaram a 15,2 mil toneladas, avanço de 45,9% na comparação anual. A ABPA projeta até 40 mil toneladas extras por ano com o novo protocolo.
O que acontece agora
Cabe às empresas brasileiras já habilitadas pedir ao Mapa a extensão da habilitação para incluir fígado, rim e estômago nos embarques à China.
Não há prazo oficial divulgado para essa liberação caso a caso.
O movimento se soma a outros acordos sanitários recentes. Em setembro, a União Europeia também liberou a volta do frango brasileiro após aceitar novos protocolos do país.





























