Cientistas do consórcio PsychAD, liderado pelo Mount Sinai, em Nova York, criaram um mapa detalhado da atividade gênica no córtex pré-frontal do cérebro, publicado nesta quarta-feira (23) na revista Nature. O estudo traz novos insights sobre doenças como Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia.

O córtex pré-frontal é a parte frontal da camada externa do cérebro, localizada atrás da testa. Ele ajuda a planejar, tomar decisões, regular emoções e adaptar o comportamento, e é sensível ao declínio relacionado à idade.

A atividade gênica foi examinada em mais de 6,3 milhões de núcleos de células cerebrais de 1.494 doadores falecidos, com idades da infância até 108 anos. Nove estudos distintos compuseram a pesquisa, publicados simultaneamente.

Entre os doadores havia pessoas sem diagnóstico de distúrbio cerebral e pessoas com Alzheimer, Parkinson, demência com corpos de Lewy, demência vascular, esquizofrenia e transtorno bipolar. É um retrato que ganha peso num continente onde a demência já cresce além do esperado pelo envelhecimento.

A pesquisa identificou padrões comuns a algumas doenças, e outros específicos de cada uma.

"Juntos, esses estudos ajudam a explicar onde ocorrem as alterações relacionadas às doenças e quais processos biológicos merecem uma investigação mais aprofundada", disse o Dr. Panos Roussos, diretor do Centro de Neurogenômica de Doenças da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai e um dos líderes do estudo.

"Um tratamento eficaz precisa influenciar o processo biológico correto nas células certas. Esse mapa ajuda a restringir essa busca", afirmou Roussos, acrescentando que o levantamento pode apontar quais alvos terapêuticos devem ser testados.

O que isso muda para quem tem essas doenças?

O mapa pode ajudar a identificar populações de células vulneráveis a cada doença e revelar processos ligados à preservação da função cerebral, segundo Roussos. Isso pode orientar quais alvos terapêuticos valem a pena testar em novos tratamentos.

Descobertas como essa tendem a alimentar linhas de pesquisa sobre quando o esquecimento cotidiano deixa de ser normal e pede atenção médica.

Também podem se somar a abordagens já em teste, como o transplante de células que mostrou resultados promissores contra o Parkinson.

O que acontece agora

O trabalho foi feito como parte do consórcio de pesquisa PsychAD, com apoio do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA), dos Estados Unidos. O grupo identificou 8 classes principais de células e 67 subtipos, uma taxonomia que outros pesquisadores agora podem usar como referência.