Todas as reuniões marcadas para a manhã desta quarta-feira (23) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) foram canceladas. Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, 146 das 176 reuniões previstas não aconteceram, taxa de cancelamento de 83%.

As reuniões de hoje eram das comissões de Trabalho, Previdência e Assistência Social; Saúde; Minas e Energia; Segurança Pública; e Fiscalização Financeira e Orçamentária.

O cientista político Adriano Cerqueira diz que os deputados alegam intensificar contatos com as bases durante a campanha. Ele também aponta desorganização administrativa como fator adicional.

Dos 77 deputados estaduais mineiros, 68 são candidatos à reeleição, equivalente a 88,31% da Casa. Outros 5 tentam migrar para a Câmara dos Deputados, e 2 não disputam cargo algum.

O presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite (MDB), deixa a Casa depois de disputar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. A deputada Ione Pinheiro (União), eleita a primeira mulher conselheira do TCE-MG, também deixa o mandato.

Nas poucas sessões que ocorreram, a oposição usou a Assembleia como palco de fiscalização. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) concentrou dez das reuniões da Comissão de Educação. Enquanto a maioria prioriza a campanha, a oposição fiscaliza o governo no tempo que sobra.

Ela questiona um contrato de fornecimento de material escolar de R$ 348 milhões, assinado sem licitação pelo governo de Mateus Simões (PSD).

"Dinheiro da população que apodrece numa sala escura e fechada", disse Beatriz Cerqueira.

A oposição também cobra explicações sobre uma parceria público-privada para manutenção de escolas, a exploração ambiental no Parque Estadual do Biribiri e a conversão de escolas estaduais em unidades cívico-militares.

O padrão não é novo. Um levantamento de 11 de setembro já mostrava índice parecido. Das 129 reuniões marcadas até aquela data, apenas 22 haviam ocorrido, também com taxa de cancelamento de 83%.

O que a paralisação tem a ver com a campanha?

O cenário na Assembleia espelha o resto da campanha mineira. Candidatos ao governo do estado também têm faltado a compromissos, como debates, na reta final da corrida. Deputados da base governista concentram a campanha no interior do estado.

O que acontece agora

As eleições estaduais acontecem em 4 de outubro, mesma data da votação para presidente, governador, Senado e Câmara dos Deputados. Só depois do pleito a Assembleia deve retomar o ritmo normal de comissões e plenário.