O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, deixou de ser considerado foragido nesta quarta-feira (23), após receber da 8ª Câmara Criminal do TJRJ um novo habeas corpus no processo que o investiga por suposta lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho.

A decisão, unânime, era o último mandado de prisão em aberto contra o artista. Em nota, a defesa disse que sempre confiou na Justiça.

"O próximo resultado esperado é o trancamento desta ação penal, formada inteiramente por provas ilícitas, conforme atestado em laudo pericial", disse o advogado Thiago Lemos.

Oruam é réu ao lado do pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e de outros nove investigados, 11 réus ao todo. O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou o grupo por organização criminosa e lavagem de dinheiro em 30 de janeiro.

A Justiça recebeu a denúncia dois meses depois e tornou réus os 11 denunciados. Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) tinham deflagrado, em 29 de abril, a operação que mirava o braço financeiro do Comando Vermelho. A investigação durou cerca de um ano.

Oruam estava foragido desde fevereiro. Ele segue réu no processo, mas passa a responder em liberdade, sem mandado de prisão em aberto. O Comando Vermelho é classificado como organização terrorista por 14 países, mas não pelo Brasil.

O Comando Vermelho também teve seis integrantes condenados recentemente em Minas Gerais, em esquema separado de tráfico dentro de presídios.

Do que trata o outro processo?

O outro habeas corpus, concedido em agosto pela 3ª Vara Criminal da Capital, tratava da acusação de que Oruam teria jogado uma pedra de 4,85 kg contra dois policiais civis, um deles o delegado Moyses Santana, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

A juíza Tula Corrêa de Mello entendeu que não havia elementos para sustentar a tentativa de homicídio, nem provar que o artista assumiu o risco de matar os agentes. Com a desclassificação da acusação, o caso passou para uma vara criminal comum.

O que acontece agora

O habeas corpus de hoje não encerra a ação penal, que segue tramitando no Rio, com o mérito das acusações ainda por analisar. Oruam ainda responde por ameaça, dano qualificado, resistência, desacato e lesão corporal em outro processo.