O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado por Lula a 17 dias do primeiro turno, corresponde exatamente à inflação acumulada no período, segundo o governo. Para a oposição, o momento do anúncio é o que importa, não a fórmula usada para calculá-lo.
“Reajuste do Bolsa Família foi pela inflação, não foi real”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à CNN nesta sexta-feira (18). Segundo ele, o valor apenas repõe o poder de compra do benefício.
O número não é escolha de Durigan: o STF já confirmou que o índice de 15,04% foi calculado pela variação do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a mudança, o piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) discorda da leitura do governo. Em ato de campanha em Joinville (SC), neste sábado (19), disse que Lula, “num ato de desespero”, aumentou o Bolsa Família e “tenta comprar votos”.
O reajuste chega antes ou depois do voto?
Os novos valores só serão pagos a partir de 19 de outubro, depois do primeiro turno (4 de outubro) e antes de um eventual segundo turno (25 de outubro). Durigan usa esse calendário como defesa.
“Se for só pensando no tema eleitoral, teria de ter feito antes”, disse o ministro, que também citou o impacto fiscal da medida: R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027, dentro do orçamento já previsto.
A comparação inevitável é com 2022, quando o próprio Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 em agosto, sem justificativa inflacionária e menos de três meses antes do primeiro turno daquele ano.
Foi o próprio Lula quem acionou a Justiça Eleitoral contra aquele aumento. Em 2026, quem já validou o reajuste foi o ministro Gilmar Mendes, do STF, embora uma ação distinta ainda tramite no TSE, sob relatoria de André Mendonça.
Por que o número de famílias no programa caiu?
Durigan também atribuiu parte da diferença de gasto a uma revisão cadastral: o programa chegou a ter 21,9 milhões de famílias na transição de governo, em 2023, e fechou 2025 com 18,7 milhões.
Segundo o ministro, mais de 2 milhões de pessoas saíram do Bolsa Família por melhora de renda, e 91% dos empregos formais criados no ano passado vieram de ex-beneficiários do programa, segundo dados citados por ele.
O ponto em aberto
O Brasil já viveu essa disputa em 2022, com os papéis invertidos, e o desfecho jurídico só veio dois anos depois, quando o STF considerou parte daquele aumento inconstitucional.
A pergunta que fica para 2026 é se o calendário de pagamento, depois do primeiro turno, é suficiente para afastar a suspeita de uso eleitoral do benefício, ou se a discussão vai se repetir na Justiça depois das urnas, como já aconteceu antes.





























