Os Estados Unidos vão liberar a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem tarifa por 90 dias, anunciou o presidente Donald Trump nesta sexta-feira (21). A medida ainda não confirma quais países serão beneficiados, mas analistas apontam o Brasil como um dos principais candidatos a ganhar com a abertura.
Segundo Trump, o volume liberado permitirá vender a carne nos Estados Unidos por um preço até 25% menor que o praticado hoje no mercado americano. O anúncio foi feito pela rede social Truth Social.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que ainda não recebeu dados oficiais do governo americano sobre volumes, critérios ou países contemplados na cota.
Quanto o Brasil pode ganhar
Hoje, a carne brasileira participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores nos Estados Unidos, que costuma se esgotar nas primeiras semanas do ano. Depois disso, as exportações seguem, mas pagam uma tarifa extra-cota de cerca de 26%.
Analistas do setor calculam que, isenta dessa tarifa, a cota de 300 mil toneladas anunciada por Trump representaria um potencial de US$ 500 milhões para o Brasil, com base no preço médio de exportação da carne bovina brasileira.
De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 233 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos, com receita de US$ 1,5 bilhão. O mercado americano é o segundo maior comprador da carne brasileira, atrás só da China.
Entre as processadoras brasileiras, a Minerva Foods é apontada pelo mercado como a mais exposta ao resultado dessa disputa comercial: 55% da receita da companhia vem da originação de gado no Brasil.
A lembrança do tarifaço
O setor já foi ao limite oposto em 2025, quando Trump ameaçou elevar em 50 pontos percentuais a tarifa sobre produtos brasileiros.
Somada à sobretaxa então vigente, a conta chegaria a 76,4%, patamar que a Abiec descreveu como inviável para qualquer exportação de carne aos Estados Unidos.
À época, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, estimou perda de até US$ 1 bilhão para o setor caso a tarifa entrasse em vigor. O Brasil reagiu redirecionando parte da carne para a China, cujas compras chegaram a crescer mais de 38% em um mês.
É nesse contexto que a nova cota de Trump chega como uma abertura, não uma garantia.
O ponto em aberto
A cota vale por apenas 90 dias e ainda não tem os países confirmados pelo governo americano.
Falta saber se o Brasil, que soma histórico recente de idas e vindas na relação tarifária com os Estados Unidos, vai de fato entrar na lista antes que a janela se feche.


























