Um segurança de 56 anos se entregou à 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) na quinta-feira (20), suspeito de participar da morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, 37 anos, espancado em 11 de agosto após ser confundido com ladrão. O delegado Ângelo Lages classificou o crime como homicídio triplamente qualificado.

O caso aconteceu na Rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Cláudio pedalava a bicicleta da irmã quando um segurança de um restaurante na Rua Barata Ribeiro suspeitou que o veículo fosse roubado e acionou um grupo de entregadores de aplicativo que passava pela região.

Levado até a Rua Felipe de Oliveira, o ciclista foi agredido por cerca de nove minutos, com mais de 30 golpes de pedaço de madeira, além de socos e chutes na cabeça, no peito e no abdômen.

Câmeras de segurança registraram toda a sequência, da abordagem aos golpes finais, inclusive enquanto a vítima já estava desacordada.

Os agressores mexeram nos bolsos de Cláudio e fotografaram a cena antes de deixar o local. Os bombeiros chegaram cerca de 30 minutos depois e levaram o ciclista ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea.

Ele não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de 12 de agosto, com traumatismo craniano e hemorragia interna.

Segundo a família, a acusação de furto era falsa.

Como está a investigação

A Polícia Civil identificou quatro homens envolvidos no crime: três participaram diretamente das agressões e um teve papel acessório. A Justiça expediu mandados de prisão contra os suspeitos.

Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos, se apresentou à 12ª DP por volta das 12h50 de quinta-feira, cumprindo mandado de prisão temporária.

Segundo a Polícia Civil, ele não participou diretamente das agressões, mas segurou a bicicleta da vítima e guardou o objeto usado nos golpes.

Um segundo segurança, identificado como Davi Santos Machado, participou diretamente das agressões, segundo a investigação. Faltam identificar os dois entregadores de aplicativo que também agrediram o ciclista, informou o delegado Ângelo Lages.

"Um crime hediondo, um homicídio triplamente qualificado, com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima", disse Lages sobre o enquadramento penal do caso.

O esquema de segurança sem empresa

Davi e Jorge também são investigados por possível exercício ilegal da profissão. A legislação federal restringe empresas de segurança privada a estabelecimentos e prédios, o que torna irregular o serviço que os dois prestavam nas ruas do bairro para comerciantes locais.

"Não tinha nem empresa privada ali, eles prestavam clandestinamente um serviço para o comércio", disse Lages.

A irmã de Cláudio confrontou Jorge no momento em que ele se apresentava à delegacia. "Gostou de matar meu irmão? Gostou de matar meu irmão?", repetiu ela. O segurança não respondeu e entrou no prédio.

A investigação segue na 12ª DP, que aguarda a identificação dos dois entregadores foragidos para concluir o inquérito.