A Anatel autorizou a Vivo a testar, até 22 de outubro, a conexão direta entre satélites da Starlink e celulares comuns, sem antena externa. Os testes usam até 50 aparelhos, em caráter secundário, sem prejudicar serviços prioritários que já usam a mesma faixa de frequência.

O período de testes começou em 19 de julho e vai até 22 de outubro. A operadora usa duas porções de 5 MHz na faixa de 2,5 GHz, cedidas pela Anatel só para o experimento.

Como funciona a conexão direta

A tecnologia é chamada de Direct-to-Device (D2D). Satélites de baixa órbita funcionam como extensão da rede móvel, conectando o celular direto pelas frequências já licenciadas à operadora, sem hardware ou aplicativo especial.

A ideia é complementar a rede 4G e 5G terrestre, não substituí-la. É útil principalmente em estradas e áreas rurais sem cobertura convencional.

O problema que a tecnologia mira é grande: mapeamento da Anatel aponta 26,4 mil localidades sem 4G no Brasil, e cerca de 10 milhões de brasileiros vivem em áreas sem cobertura móvel, concentradas em zonas rurais, comunidades quilombolas, assentamentos e trechos de rodovia.

Depois da fase de testes, a Vivo deve compartilhar com a Anatel os resultados e eventuais casos de interferência.

Vivo e SpaceX não anunciaram contrato comercial, data de lançamento, preço ou lista de aparelhos compatíveis, e as duas empresas não comentaram as tratativas.

A Vivo não é a única de olho na tecnologia. TIM e Claro também avaliam soluções de conexão direta a satélite com outras empresas do setor.

Como já funciona em outros países

Nos Estados Unidos, a T-Mobile lançou comercialmente o serviço equivalente com a Starlink, o T-Satellite, em 23 de julho de 2025. Hoje ele oferece torpedo, localização e ligação ao 911 via satélite.

A conexão direta a celular da Starlink já está ativa em mais de 20 países, com parceiros locais como a Rogers, no Canadá, a SoftBank, no Japão, e a Telstra, na Austrália.

Na maioria desses casos, o serviço ainda está restrito ao envio de torpedo em área rural — as chamadas de voz por satélite só começaram a ser testadas no fim de 2025.