Os Correios abriram nesta sexta-feira (21) um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) para até 7 mil funcionários, com indenizações de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil. As inscrições vão até setembro e miram exclusivamente trabalhadores de até mil unidades que serão fechadas, em meio a um prejuízo trimestral de R$ 3,1 bilhões.
O valor da indenização varia conforme tempo de serviço, idade e adicionais por aposentadoria ou incorporação salarial. O pagamento é em parcela única, depositado até o décimo dia do mês seguinte à adesão, sem incidência de Imposto de Renda nem recolhimento de FGTS.
Diferente do primeiro PDV do ano, este só vale para quem trabalha nas unidades que vão fechar: até mil pontos de atendimento deficitários, entre agências, centros de tratamento e armazéns de carga. Não há meta obrigatória de adesões.
Por que a estatal está cortando
O prejuízo dos Correios no primeiro trimestre de 2026 somou R$ 3,1 bilhões, 82,35% maior que no mesmo período de 2025. A projeção interna é de um resultado negativo próximo a R$ 10 bilhões no ano, depois de R$ 8,5 bilhões de prejuízo em 2025.
A estatal também tomou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.
Além do PDV, a companhia soma outras frentes de corte: venda de imóveis, com potencial de R$ 1,5 bilhão, e redução de R$ 321 milhões em contratos com fornecedores.
O primeiro PDV do ano, aberto em fevereiro, mirava 10 mil desligamentos. Aderiram cerca de 3,1 mil funcionários, 31% da meta, e a economia alcançada ficou em 45% do objetivo de R$ 1,4 bilhão.
A reação da categoria
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect) repudiou o programa. Para o sindicato, a direção tenta transferir aos empregados a conta de uma crise que a categoria não causou.
"O que está em curso é um plano de destruição dos Correios", disse o secretário-geral da Fentect, em nota.
A entidade também critica a proposta de reajuste salarial de 0,87% e mudanças no plano de saúde, como aumento de mensalidade e fim da rede própria de prestadores.
Se a empresa não recuar, a Fentect afirma que articulará uma paralisação nacional a partir de setembro. É a mesma janela em que se encerram as inscrições do PDV.
O ponto em aberto
O primeiro PDV do ano ficou em menos de um terço da meta de desligamentos. Fechar unidades deficitárias reduz custo fixo, mas também reduz a rede de atendimento em cidades menores, que dependem dos Correios como única opção de logística postal.
A pergunta que fica é se restringir o novo plano a quem já está em unidade extinta é o suficiente para destravar a adesão que faltou em fevereiro.


























