O El Niño que se forma no Pacífico em 2026 pode se tornar o mais forte já registrado, superando os quatro Super El Niños dos últimos 150 anos. A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos Estados Unidos estima em 95% a chance de um episódio muito forte, com anomalia de temperatura acima de 2°C.
A região Niño 3.4, usada como termômetro do fenômeno, já registra anomalia de +2,6°C. Modelos atualizados em agosto projetam que ela pode se aproximar ou superar 4°C no pico, previsto para o fim do ano.
Em 150 anos, o planeta teve apenas quatro Super El Niños: 1877-1878, 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. O de 1982-1983 chegou a +2,6°C em dezembro daquele ano. O de 2015-2016 atingiu +3,0°C em novembro. O episódio atual já passou dos 2°C em julho, mais cedo do que os dois anteriores.
O meteorologista americano Eric Webb, que estuda o fenômeno conhecido como ENSO, disse estar muito confiante de que este será o mais forte da série histórica com medição instrumental, iniciada em 1850.
O que muda no Brasil
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Norte e o Nordeste devem ter chuva abaixo da média e mais estiagem. As porções norte do Centro-Oeste e do Sudeste seguem o mesmo padrão. Já o Sul tende a receber chuva acima da média, com risco de excesso de umidade no solo.
A probabilidade de o El Niño chegar muito forte no último trimestre de 2026 está em 81%, segundo o Inmet.
Quanto isso pode custar
A TV Sim Brasil já mostrou como o El Niño pode encarecer a conta de luz e a comida em 2026. A nova leva de modelos climáticos acrescenta a escala.
Com a intensidade agora projetada em até 4°C, a consultoria TI Safe estima R$ 35 bilhões em perdas potenciais para os 25 maiores grupos do setor elétrico.
Essa conta parte de um cenário de El Niño moderado a forte, não do extremo de 4°C hoje em cima da mesa. Uma queda de 5% a 10% no agronegócio, por sua vez, pode tirar de 0,3 a 0,8 ponto percentual do crescimento do PIB em 2026.
O que a TV Sim observa
As contas de perda para energia e PIB partem de um cenário moderado a forte, não do pior caso hoje projetado. Se a intensidade máxima se confirmar, os números tendem a ser o piso, não o teto, do que o fenômeno custa ao país.


























