A Amazon aumentou os preços de Kindle, Echo e Fire TV no Brasil em até 55%. O Echo Spot foi o mais afetado: subiu de R$ 579 para R$ 899. A empresa atribui o reajuste à alta global no custo de componentes de memória e armazenamento.

"A indústria de eletrônicos de consumo enfrenta aumentos significativos nos custos de componentes de memória e armazenamento", informou a Amazon. A empresa diz ter absorvido parte do custo internamente antes de repassar o valor ao consumidor, sem detalhar por quanto tempo.

O Kindle básico de 16 GB, o mais barato da linha, subiu de R$ 599 para R$ 899, alta de 50%. Já o Echo Dot de 5ª geração saltou de R$ 429 para R$ 649, aumento de 51%.

Ao todo, 11 produtos foram reajustados. Os mais afetados são os dispositivos de entrada e os mais recentes; modelos mais caros, como o Kindle Scribe e o Echo Studio, não aparecem entre os com ajuste relevante até agora.

Por trás do aumento: a corrida da IA por memória

No primeiro trimestre de 2026, os preços de memórias DRAM dispararam mais de 90%, e os de memórias NAND Flash subiram cerca de 60% em três meses.

A causa é a construção acelerada de data centers de inteligência artificial. Nvidia, OpenAI, Google, Meta, Amazon e Microsoft compram memória em volumes gigantescos e pagam margens superiores às praticadas no mercado de eletrônicos de consumo.

O que isso significa para o resto do mercado

A alta não é exclusividade da Amazon: smartphones e computadores devem ficar, em média, até 8% mais caros em 2026, com alguns fabricantes elevando preços em até 14%. O próximo iPhone é outro exemplo de aparelho pressionado por custo mais alto no Brasil.

Pela primeira vez, fabricantes cogitam lançar celulares com menos memória RAM que os antecessores. Os preços mais altos também devem derrubar vendas: o mercado de smartphones pode encolher até 5,2%, e o de computadores, 8,9%.

Uma queda real de preços só é esperada em 2027, quando novas fábricas de semicondutores entrarem em operação.