O petróleo disparou mais de 3% nesta quinta-feira (24), depois de Trump e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, trocarem ameaças na ONU. O barril Brent chegou a US$ 106,39, maior valor em uma semana, afastando ainda mais um acordo de paz.
O Brent subiu 3,21% por volta das 5h15 (horário de Brasília) e voltou ao patamar da semana passada, quando havia alcançado US$ 108,59, oito dias antes. Às 7h20, era negociado a US$ 105,43, alta de 2,28% no dia.
O WTI, usado nos Estados Unidos, subia 1,79% pela manhã, a US$ 93,81. Ao fim do pregão, o Brent fechou em US$ 106,24, alta de 3% no dia, e o WTI encerrou a US$ 94,39, alta de 2,42%.
É a segunda alta seguida puxada pelo mesmo conflito. Na véspera (23), o Brent já havia subido mais de 2%, o que reacendeu o temor de inflação no Brasil.
A disparada mantém a perspectiva de bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo antes da guerra. Cresce o risco de ataques dos houthis do Iêmen, cujo avanço pesa sobre o mercado, e da Arábia Saudita.
Em 8 de setembro, os houthis atacaram instalações da Saudi Aramco no sul da Arábia Saudita e incendiaram a refinaria de Jizan. O ataque, que deixou 73 feridos segundo o Ministério da Energia saudita, reacendeu o medo de um choque do petróleo.
Trump ameaçou 'aniquilar' o Irã em discurso na segunda-feira (22). No dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que Teerã não abrirá mão do programa nuclear, acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo e levou fotos de crianças iranianas mortas na guerra.
A delegação dos EUA deixou a plenária durante o discurso dele.
Para os investidores, a percepção era de que os dois lados ainda estavam muito distantes. Ficou claro que os investidores ainda esperavam um período prolongado de preços mais altos do petróleo.
Avaliou Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank.
Nesta quinta (24), o conselheiro Yahya Rahim Safavi, próximo ao líder supremo Mojtaba Khamenei, disse que o Irã deve estender o conflito até o Oceano Índico caso os EUA voltem a atacar o país.
Em vídeo, a Folha mostra como Trump mudou de tática após seis meses de guerra no Irã.
Como a alta do petróleo afeta o Brasil?
A escalada também mexe com o mercado brasileiro. Na véspera (23), as ações da Petrobras já haviam subido acompanhando o petróleo. A PETR3 avançou 2,59% e a PETR4, 2,61%, enquanto o Ibovespa caiu 0,86%, pressionado pelo cenário externo.
A Petrobras nem sempre repassa altas do petróleo ao consumidor. Em maio, reajuste de R$ 0,48 por litro na venda às distribuidoras chegou à bomba com alta de só R$ 0,03. A alta lá fora nem sempre chega inteira ao posto no Brasil.
O ponto em aberto
O Brent voltou ao patamar de uma semana atrás sem que a guerra tenha bloqueado Hormuz ou Bab al-Mandab. A pergunta que fica é se a escalada na ONU vai virar bloqueio real das rotas, ou se o mercado só precifica um risco não confirmado.































