O petróleo Brent fechou em alta de 2,84% nesta quarta-feira (23), a US$ 98,12 o barril, encerrando cinco sessões seguidas de queda. A alta veio da tensão entre Irã e Estados Unidos e do risco de corte no diesel americano.
O WTI, referência americana, subiu 1,81%, a US$ 92,16 o barril. Irã e EUA confirmaram nesta quarta que as negociações não avançaram, afastando a chance de um fim rápido do conflito no Oriente Médio.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o país mantém opções militares contra Teerã.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, alertou os europeus para "consequências de longo prazo" ao apoiarem o que chamou de "crimes de guerra" cometidos por EUA e Israel em Gaza e no Irã.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou na ONU que a navegação livre pelo Estreito de Ormuz só será retomada após a suspensão de sanções.
Segundo o Politico, o governo Trump também prepara um plano para proibir as exportações de diesel por 90 dias, o que pressionou ainda mais os preços. A Casa Branca negou o plano.
Por que o conflito no Irã pesa tanto no preço?
O Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. Segundo a Rystad Energy, o fluxo pela via caiu de 8 milhões a 9 milhões de barris por dia para menos de 2 milhões.
Nesta quarta, a UK Maritime Trade Operations informou que uma embarcação foi atingida ao cruzar o estreito. A Arábia Saudita planeja retomar até sábado (26) seu oleoduto Leste-Oeste, rota alternativa a Ormuz.
O Bank of America elevou a projeção para o Brent no segundo semestre de US$ 83 para US$ 95 o barril, citando a interrupção no fornecimento de petróleo bruto e de produtos refinados.
Para o banco, a continuidade dos confrontos até o fim do ano é o cenário mais provável.
O que isso mexe no Brasil
No Brasil, o susto já apareceu no mercado de juros. A inflação embutida nos títulos públicos piorou de forma expressiva nesta quarta, segundo o Valor Econômico, mesmo com a negativa da Casa Branca.
A Petrobras não repassa automaticamente as oscilações internacionais ao consumidor: a estatal monitora cotações, câmbio e outros fatores antes de decidir um reajuste.
O país sente o efeito de outra forma: os EUA respondem por 80% do diesel importado pelo Brasil, e Trump já defendeu suspender essas exportações.
O que acontece agora
Segundo o Politico, Trump estaria inclinado a anunciar a decisão sobre o diesel até sábado (26). Novas rodadas de negociação entre EUA e Irã também estão previstas, mas sem data marcada.






























