O petróleo voltou a cair nesta segunda-feira (21) e tocou o menor nível em 11 dias, mesmo após ataques dos houthis contra alvos sauditas. O mercado reduziu prêmio de risco ao apostar em diplomacia entre Estados Unidos e Irã na Assembleia Geral da ONU.

Segundo o InfoMoney, o Brent para novembro era cotado a US$ 101,75 às 6h, queda de 2%. O Estado de Minas registrou que a referência mundial chegou a recuar 3,5%, para US$ 100,22, depois de ter subido na abertura de domingo.

O movimento atualiza a sequência de tensão que já levou o petróleo ao centro da cobertura econômica, como no incêndio perto do aeroporto de Riad.

Também conversa com o custo doméstico de energia, tema das matérias sobre subsídio ao diesel e sobre o diesel mais caro antes da eleição.

A leitura do dia não é que o risco sumiu. É que o mercado passou a pagar menos por ele.

Por que o petróleo caiu?

O petróleo caiu porque investidores passaram a considerar a possibilidade de uma frente diplomática nesta semana, enquanto relatos apontam oferta do Golfo maior que o esperado. Donald Trump disse estar aberto a se reunir com Masoud Pezeshkian, presidente iraniano esperado em Nova York.

Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade, disse que parte do prêmio de risco parece estar sendo retirada dos preços pela expectativa de um caminho diplomático. A frase resume o ponto: a cotação caiu por expectativa, não por solução já assinada.

Ao mesmo tempo, a tensão continua no mapa. Segundo o InfoMoney, os houthis afirmaram ter atacado locais sensíveis em Riad e uma instalação da Saudi Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, importante centro de exportação de petróleo.

O que isso muda para o Brasil?

Para o Brasil, a queda do Brent entra no radar de inflação, câmbio e combustíveis, mas não muda preços automaticamente na bomba. O Valor destacou que investidores locais também acompanham pesquisas eleitorais, crise no STF, ata do Copom, Relatório de Política Monetária e IPCA-15.

Esse conjunto importa porque petróleo, dólar e juros costumam aparecer juntos na conta de empresas, governo e consumidores. Um barril mais baixo alivia a pressão, mas a duração do alívio depende do conflito, da oferta saudita e do câmbio.

O Valor informou que, por volta das 8h, o futuro do S&P 500 subia 0,72%, o Nasdaq avançava 1,13% e o Stoxx 600 tinha alta de 1,09%. No mesmo horário, os Treasuries de dez anos caíam de 4,997% para 4,958%.

O que acontece agora

O próximo teste é a agenda da ONU em Nova York, onde a presença de Pezeshkian é esperada e Trump sinalizou abertura para reunião.

Se a diplomacia não avançar, ataques no Mar Vermelho, em Riad ou contra infraestrutura saudita podem recolocar prêmio de risco no barril.

Há outro ponto em aberto. Segundo o InfoMoney, a China pediu ao Irã que ajude a conter os houthis após apelo saudita, enquanto a Aramco ampliou exportações pelo Estreito de Ormuz depois de ataques ao oleoduto Leste-Oeste.

Para o leitor brasileiro, o efeito prático está menos no pregão de hoje e mais na persistência da queda. Um dia de Brent menor ajuda o mercado; várias semanas de barril menor pesam mais nas expectativas de inflação e juros.