Trabalhadores da Volkswagen, BMW e Bosch protestaram nesta segunda-feira (21) contra cortes e reestruturações na indústria automotiva alemã. O sindicato IG Metall convocou atos em mais de 200 locais, em meio à pressão chinesa, à queda de lucros e à transição para carros elétricos.
Segundo a Folha, a Volkswagen planeja eliminar 100 mil postos de trabalho no maior plano de reestruturação de sua história. A montadora também reduziu sua previsão de margem de lucro em 2026 para 1%, após citar fraqueza na China e custos ligados à Porsche.
O movimento sindical atinge empresas no coração industrial da Alemanha. A lista inclui montadoras, como BMW e Volkswagen, e fornecedores, como a Bosch, que dependem da mesma cadeia de motores, baterias, software e peças.
"Esperamos que os líderes empresariais e as equipes de gestão assumam a responsabilidade pela Alemanha como nação automobilística, pelos trabalhadores e pelos empregos", afirmou Christiane Benner, presidente do IG Metall, em ato na sede da Volkswagen, em Wolfsburg.
A pressão também aparece no mercado financeiro. O Financial Times informou que a Volkswagen saiu do Euro Stoxx 50 pela primeira vez em 15 anos, após queda de mais de 75% nas ações desde o pico de 2021.
Por que a crise importa para o Brasil?
A crise importa para o Brasil porque o país compra, produz e regula carros dentro da mesma disputa global por elétricos, baterias e fornecedores. O avanço chinês que pressiona a Alemanha aparece aqui, como mostrou o investimento ampliado da Renault e Geely no Brasil.
Quando montadoras europeias cortam custos, elas tendem a rever plataformas, fornecedores e investimentos fora da Europa, ainda que nenhum anúncio específico para o Brasil tenha sido feito nesta rodada.
Segundo a AP, o plano da Volkswagen prevê cerca de 50 mil cortes e fim da produção de veículos em quatro fábricas alemãs. A empresa também enfrenta excesso de capacidade de 500 mil veículos na Europa, número que ajuda a dimensionar a escala do ajuste.
O pano de fundo é tecnológico. Fontes ouvidas pela imprensa alemã apontam atraso em eletrificação, digitalização e baterias, justamente a cadeia em que o Brasil tenta se posicionar com regulação para elétricos e insumos como terras raras usadas na eletrificação.
O que acontece agora
O que acontece agora é uma disputa entre sindicatos, montadoras e governos regionais sobre o ritmo dos cortes. O IG Metall cobra subsídios europeus mais eficazes, proteção contra concorrência chinesa e preservação de programas de aposentadoria gradual.
Na prática, a crise alemã aumenta a pressão para que cada país defina sua estratégia para elétricos. No Brasil, essa adaptação também passa por regras de circulação, como a mudança que permite CNH B para elétricos mais pesados.





























