O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (2/10) que vai proibir bancos de enviarem cartões de crédito sem autorização prévia do cliente. A declaração veio em post no X, após repercussão negativa de fala sobre o tema no Flow Podcast.

O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil.

No mesmo post, Lula disse que cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser, numa resposta a críticos que o acusavam de propor limitar o número de cartões por pessoa.

Na noite de quinta-feira (1º/10), ao Flow Podcast, Lula havia dito discutir com o Banco Central a possibilidade de proibir que bancos emitam mais de um cartão de crédito por pessoa, como forma de conter o endividamento da população.

Lula citou juros de 449,4% ao ano no cartão de crédito.

Ele mencionou o caso de uma pessoa que recebeu quatro cartões não solicitados e acumulou R$ 80 mil em dívidas.

O pano de fundo é grande. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, de agosto, 83,9 milhões de pessoas estavam com dívidas atrasadas há mais de 90 dias, o equivalente a 51% da população adulta do país.

Por que a fala gerou polêmica

A proposta inicial, de limitar o número de cartões por pessoa, foi lida pela oposição como ameaça ao crédito das famílias. Lula recuou da ideia de limite. Mas manteve a promessa de proibir o envio de cartões não solicitados.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a proposta em vídeo nas redes sociais. "A gente deveria proibir o cartão de crédito, sabe para quem? Era para a esposa dele", disse o deputado.

Parte de uma sequência de medidas

A discussão sobre cartões de crédito chega depois de duas medidas que o governo já havia anunciado contra o endividamento, a proibição das bets e uma nova fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas.

Segundo o Valor, as três medidas tornaram-se centrais para o governo e para a campanha à reeleição. A proibição das bets tem apoio de 78% da população, segundo pesquisa recente.

O que acontece agora

O tema deve seguir repercutindo até a eleição de domingo (4/10). A proibição do envio de cartões não solicitados segue em discussão entre o governo e o Banco Central, sem data para virar regra.