O deputado federal José Medeiros (PL-MT), candidato ao Senado por Mato Grosso, não negou áudio vazado nesta quarta-feira (23) em que chama seu eleitor de quem 'ora para alienígena e bebe detergente'. A mensagem foi enviada ao prefeito de Diamantino (MT), Chico Mendes.
Chico Mendes é irmão do ministro do STF Gilmar Mendes. Medeiros já foi senador por Mato Grosso antes do mandato atual na Câmara, pelo PL, com apoio declarado do senador Flávio Bolsonaro (PL) e aval, segundo relatos, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na gravação, Medeiros minimiza o desgaste e descreve o próprio eleitorado.
Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico.
Medeiros não desmentiu o conteúdo divulgado nesta quarta-feira (23). Ele reagiu nas redes publicando que "Mato Grosso está vivendo a eleição mais suja da sua história" e acusou adversários de arquitetar operação contra a candidatura.
Interlocutores do deputado dizem que a frase foi tirada de contexto: segundo eles, "beber detergente" seria uma metáfora para o eleitor convicto, que não recua diante de pressão.
Apoiadores de Medeiros atribuem o vazamento à ascensão dele nas pesquisas de intenção de voto ao Senado por Mato Grosso, embora nenhum instituto tenha divulgado números da disputa até a publicação desta reportagem.
Por que o áudio foi parar com o prefeito de Diamantino?
O áudio foi parar com Chico Mendes porque ele é prefeito de Diamantino (MT) e irmão do ministro do STF Gilmar Mendes. Na conversa, Medeiros garante ao prefeito que poupa o Supremo em suas críticas públicas, com uma exceção declarada: o ministro Alexandre de Moraes.
O deputado afirma ter procurado Gilmar Mendes pessoalmente, em Brasília, para tratar da repercussão, e diz que não recebeu notificação de qualquer investigação envolvendo seu nome.
"Eu não tenho nada a temer porque não devo nada. Recebi a informação de que não há investigação em andamento envolvendo meu nome", disse Medeiros, segundo o Jovem Pan.
A disputa pelas duas vagas ao Senado por Mato Grosso ocorre num estado que também vive a corrida mais acirrada em duas décadas: o Estado pode registrar o primeiro segundo turno para governador em 20 anos.
Outros estados também têm corridas polarizadas ao Senado. No Rio de Janeiro, Crivella tenta o terceiro mandato apostando no voto evangélico.
Em Minas Gerais, Carlos Viana trocou de partido para entrar na chapa de Mateus Simões ao Senado, movimento que mostra como as siglas reorganizam alianças a poucos dias da votação.
O que acontece agora
O primeiro turno das eleições 2026 está marcado para 4 de outubro, quando os mato-grossenses escolhem os dois senadores do estado, ao lado dos demais cargos em disputa. Um eventual segundo turno para o governo estadual, se necessário, ocorre em 25 de outubro.
Até a publicação desta reportagem, não havia representação formal na Justiça Eleitoral contra Medeiros pelo conteúdo do áudio.





























