O diretor de processos industriais da Petrobras, William França, disse nesta quinta-feira (24) que a estatal espera consenso com os credores da Braskem, controlada por ela e pelo fundo IG4. Ele também admitiu, porém, que uma recuperação judicial não está descartada.

"Buscamos garantir uma reestruturação de capital na Braskem. Esperamos que a empresa se estruture operacionalmente, para daqui cinco ou seis anos termos uma empresa robusta", disse França após participar da ROG.e, conferência de óleo e gás organizada pelo IBP.

França integra o conselho de administração da petroquímica, assim como a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o diretor financeiro, Fernando Melgarejo.

"Nós temos até dia 24 de novembro para fechar o acordo de RE (recuperação extrajudicial) com os credores", afirmou França à Reuters. Questionado se a Petrobras poderia injetar capital na Braskem, ele disse que "nada foi decidido" ainda.

O que os credores pedem

Os credores da Braskem cobram dos controladores um compromisso financeiro concreto. A Bloomberg informou na segunda-feira (21) que eles exigem um aporte de US$ 3 bilhões em capital novo de Petrobras e IG4.

A companhia busca renegociar R$ 56,5 bilhões em dívidas dentro da recuperação extrajudicial.

O processo já teve a estratégia de apoio dos credores contestada. O Ministério Público de São Paulo pediu o bloqueio de US$ 800 milhões ligados a uma operação da subsidiária mexicana, a Braskem Idesa.

O que acontece agora

O prazo para fechar o acordo de recuperação extrajudicial termina em 24 de novembro. Até lá, Petrobras, IG4 e os credores precisam definir quem banca a reestruturação de capital da petroquímica.

A Braskem pediu recuperação extrajudicial em agosto e, desde então, saiu do Ibovespa e de outros índices da B3. Sem acordo até o prazo, a recuperação judicial passa a ser, nas palavras do próprio diretor da Petrobras, uma opção em aberto.