A família do bilionário francês Bernard Arnault vai reorganizar as holdings que controlam a LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), maior grupo de luxo do mundo, avaliado em 194 bilhões de euros (R$ 1,14 trilhão). O objetivo é blindar o controle da família sobre a empresa.
As duas camadas de holdings da família serão incorporadas à Christian Dior, que muda de nome para Agache e vira uma SCA (sociedade em comandita por ações). Os acionistas da Christian Dior devem aprovar a operação até o fim do ano.
A SCA é comum entre famílias tradicionais francesas.
Quando concluída, a operação concentrará numa única holding os 49,76% das ações da LVMH que pertencem à família e seus 65,55% dos direitos de voto.
Após a conclusão dessas operações, o controle da LVMH será exercido dentro de uma única empresa, listada na Euronext Paris há mais de 30 anos.
Arnault, de 77 anos, é dono de marcas como Louis Vuitton e Tiffany. É o movimento mais significativo da família para consolidar o controle sobre a LVMH desde 2022.
Quem são os herdeiros de Bernard Arnault?
Arnault tem cinco filhos, Antoine, Delphine, Alexandre, Frédéric e Jean, que desde 2022 têm direitos de voto iguais numa holding familiar e precisam decidir por unanimidade os temas mais importantes da LVMH. A estrutura protege o grupo de uma aquisição hostil.
Investidores minoritários vêm cobrando mais clareza sobre o plano de sucessão de Arnault. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que uma divisão temporária de poder entre os cinco irmãos é 'um fator de risco bastante alto'.
Em 2024, Arnault elevou para 85 anos o limite de idade para exercer o cargo de presidente-executivo, sinalizando que não deixará o posto na próxima década. Questionado sobre sucessão, ele respondeu que prefere falar sobre o assunto 'daqui a dez anos'.
Uma holding familiar concentra o patrimônio de uma família numa única empresa, facilitando o controle e a sucessão entre gerações.
O patrimônio de Arnault integra o grupo restrito de super-ricos que, segundo levantamento anterior, acumulam US$ 20,1 trilhões, quase 20% do PIB global.
O movimento acontece na mesma semana em que outro grande negócio repercute no mercado brasileiro. A fusão entre Yduqs e Afya cria uma gigante de R$ 9 bilhões no setor educacional.
O que acontece agora
A assembleia geral extraordinária da Christian Dior está marcada para dezembro. Se aprovada, a operação deve avançar no primeiro trimestre de 2027, sujeita à aprovação dos reguladores franceses.





























