A barra brava do Chacarita Juniors, clube da segunda divisão argentina, vive uma guerra armada pelo controle da torcida organizada. É a única barra do país liderada por uma mulher, e a facção rival é comandada pela própria irmã dela.
Em setembro, um tiroteio pelo controle da organizada deixou 4 feridos. Na segunda-feira (2 de novembro), o time faz uma decisão contra o Nueva Chicago para não cair de divisão.
A facção oficial, a Famosa Barra de San Martín, é comandada por Angélica Molina, de 60 anos. A dissidência chamada Los Pibes de Chacarita é liderada por Ana Molina, irmã de Angélica.
É uma história única no futebol argentino e em todo o planeta. Se, com as naves de Elon Musk, chegarmos em algum momento a Marte ou Vênus, encontrarmos vida parecida com a nossa e contarmos essa história, dirão que não é mentira.
Disse o jornalista Gustavo Grabia, especializado em barras bravas, a um programa do YouTube do Infobae.
O confronto de 5 de setembro começou horas depois de o Chacarita perder para o Atlanta por 1 a 0, quando o policiamento já havia deixado o entorno do estádio, na rua Gutiérrez, território controlado pela facção oficial.
Segundo o Infobae, cerca de 40 integrantes da Famosa tentaram roubar bandeiras guardadas numa casa em frente à arquibancada. Os quatro feridos a tiros foram Angélica Molina, Brian Cisneros e dois integrantes do grupo rival.
A Aprevide, agência argentina de prevenção à violência no esporte, determinou portões fechados nos dois jogos seguintes do Chacarita como mandante, contra Quilmes e Patronato.
Publicidade
Para mais dois jogos como mandante, incluindo o de segunda-feira (2 de novembro) contra o Nueva Chicago, a agência também proibiu bandeiras e instrumentos de qualquer facção.
É a primeira barra brava do país comandada por uma mulher, e hoje vive dividida entre duas irmãs que disputam o mesmo território a tiros.
O problema não é exclusivo da Argentina. No Brasil, a cúpula da torcida Bamor, do Bahia, foi presa suspeita de tortura em setembro.
Em outubro, a CBF acionou o Ministério Público contra o presidente da Gaviões da Fiel, da torcida do Corinthians, por suposta ameaça.
Em São Paulo, a Justiça condenou um torcedor a 16 anos de prisão pela Batalha da Inajar, confronto entre torcidas rivais.
O precedente: como Angélica chegou ao poder
Angélica Molina, conhecida como "la Dueña", chegou à liderança da barra em união estável com Raúl Escalante, o Muchinga, chefe histórico do grupo que cedeu o controle da arquibancada à companheira, numa sucessão pouco comum entre as barras bravas argentinas.
Em 2019, Angélica foi presa, suspeita de narcotráfico, sequestros, extorsões, furto de carros de luxo e um homicídio em Buenos Aires, segundo o Infobae. A investigação, coordenada pelo promotor Paul Starc, envolveu 21 buscas e apreensões na região metropolitana.
O que acontece agora
A Folha tentou localizar Angélica e Ana Molina e seus advogados, sem sucesso. Moradores da região evitam falar sobre o assunto, por medo de represálias, segundo a reportagem.
O jogo contra o Nueva Chicago, na segunda-feira (2 de novembro), vai decidir se o Chacarita segue na segunda divisão argentina, sob as restrições da Aprevide.































