O setor elétrico vai ter de se reorganizar para atender à demanda de energia provocada pela expansão da inteligência artificial, segundo o especialista Pedro Rodrigues, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). A análise saiu neste sábado (24) pelo Poder360, em parceria com o CBIE.

Quanto a IA já consome de energia?

Segundo dados da AIE (Agência Internacional de Energia) citados por Rodrigues, os investimentos globais em data centers somam US$ 550 bilhões, mais do que o mundo investiu para produzir petróleo e gás.

O consumo de eletricidade dessas instalações cresceu 17% e pode dobrar em cinco anos.

Nem a eficiência segura essa conta: os chips melhoram de 30% a 40% por ano em desempenho por watt, e mesmo assim o consumo total continua subindo.

Para Rodrigues, a mudança é permanente. "Não adianta torcer contra. A inteligência artificial não vai voltar para a caixa. A pergunta não é se ela vai crescer. A pergunta é como o setor elétrico vai responder", disse.

Qual é o risco para o Brasil?

No caso brasileiro, o especialista alerta que pedidos especulativos de geradores para se conectar à rede podem levar a investimentos inadequados na infraestrutura elétrica. A preocupação ecoa o que o ONS já havia alertado sobre risco de desabastecimento a partir de 2027.

"Para o sistema, importa menos quanto um data center consome e mais onde e quando essa carga chega. Uma fila de conexão cheia de projetos especulativos leva a investimento errado", afirmou Rodrigues.

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Para ele, "um contrato de energia limpa no papel não garante elétron na tomada, no lugar e na hora certa". Casos como o do Ceará já mostram esse ajuste na prática.

A conexão de 322 MW assegurada no Ceará mostra como o país já negocia capacidade de rede caso a caso para viabilizar data centers.

O que acontece agora

Rodrigues defende mais transparência sobre porte e localização dos projetos, prioridade para empreendimentos maduros e critérios claros para dividir os custos de expansão da rede.

Para ele, o consumidor comum não deveria pagar a conta sozinho: "A conta não pode, mais uma vez, ser empurrada para a Dona Maria e Seu José, que não têm nada a ver com o projeto."

O debate ganha peso no Brasil à medida que surgem novos projetos de IA na região: um acordo de IA no Paraguai pode reduzir a energia de Itaipu disponível para o lado brasileiro.