A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (28) o registro do Kyinsu, remédio que combina insulina icodeca e semaglutida numa única aplicação semanal para diabetes tipo 2. O registro foi publicado no Diário Oficial da União e concedido à farmacêutica Novo Nordisk.

A validade do registro vai até setembro de 2036, segundo o Diário Oficial. O produto foi registrado como biológico novo biotecnológico. Ele tem seis apresentações diferentes, todas em caneta aplicadora.

A insulina icodeca é um tipo de ação prolongada, feita para aplicação semanal em vez de diária, segundo o G1. Já a semaglutida é um análogo do hormônio GLP-1, que estimula a liberação de insulina, reduz a glicose no sangue e interfere no apetite.

O medicamento é indicado para adultos com diabetes tipo 2, principalmente quando o controle da doença não é alcançado apenas com insulina basal, segundo a Anvisa. A aplicação é feita por injeção sob a pele, na coxa, no braço ou no abdômen.

Por que a Anvisa aprovou dois remédios em um?

A proposta do Kyinsu é simplificar o tratamento, reunindo numa única aplicação duas estratégias que hoje muitos pacientes usam separadamente, segundo a Novo Nordisk. O objetivo é reduzir o número de injeções que uma pessoa com diabetes tipo 2 precisa fazer por semana.

Não é a primeira insulina semanal aprovada pela Anvisa. Em março de 2025, a agência já havia liberado o Awiqli, também da Novo Nordisk e só com insulina icodeca, a primeira do tipo no mundo.

A promessa da tecnologia é reduzir as aplicações de insulina de até 365 para 52 por ano.

O que mais a Novo Nordisk e a Anvisa aprovaram

A Novo Nordisk vive um momento de expansão global. Só nos Estados Unidos, a demanda por remédios da farmacêutica, dona também do Ozempic e do Wegovy, levou o banco central da Dinamarca a dobrar a projeção de crescimento do país para 2026.

A Anvisa também aprovou, em agosto, a primeira caneta genérica de semaglutida do país.

No SUS, a rede pública já oferece a insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos, mas ainda de aplicação diária, não semanal.

O ponto em aberto

Nem a Anvisa nem a Novo Nordisk informaram quando o Kyinsu chega às farmácias brasileiras ou quanto vai custar. O mesmo silêncio cercou o Awiqli, aprovado há mais de um ano, que segue sem data confirmada de chegada ao mercado nacional.

Para quem depende de insulina diária, o registro sanitário é só o primeiro passo. A fila para ter acesso ao tratamento pode ser longa.