Dançar melhora o condicionamento cardiorrespiratório e ativa áreas do cérebro ligadas à emoção, à memória e à tomada de decisão, segundo o psicólogo Peter Lovatt. Mas a Geração Z, que popularizou o TikTok com coreografias virais, tem ido menos às pistas de dança.

Em tempos de epidemia de solidão, segundo reportagem da Folha, esse declínio reduz oportunidades de aliviar a tensão e de se conectar com outras pessoas sem a mediação de uma tela.

A solidão já aparece associada a outros efeitos no Brasil: uma pesquisa recente ligou solidão e uso de redes sociais à abstenção eleitoral.

Por que as pessoas dançam menos hoje?

O medo de errar pesa mais do que antes, mesmo quando ninguém está filmando: a possibilidade de aparecer no celular de um colega já é suficiente para travar alguém na pista.

Por isso, casas noturnas em vários países criam regras contra filmagens, com adesivos sobre as câmeras dos celulares. Em Ibiza, na Espanha, boa parte dos clubes já aderiu à política "phone-free".

A pandemia também teve peso: milhões de pessoas passaram anos decisivos da adolescência e do início da vida adulta longe de festas e casas noturnas, e perderam a desenvoltura de circular entre desconhecidos e dançar quando tudo voltou ao normal.

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Quais são os benefícios de dançar?

Para o corpo, dançar melhora o condicionamento cardiorrespiratório, fortalece a musculatura e está associado a menor risco de doenças cardiovasculares. Também ajuda no equilíbrio, na flexibilidade e na coordenação motora.

Para a mente, segundo Lovatt, a dança ativa áreas do cérebro ligadas à emoção, à memória e à tomada de decisão. A improvisação corporal, sem coreografia e sem espelho, estimula a criatividade e a flexibilidade mental.

O próprio trabalho de Lovatt já associou a dança a ganhos específicos, segundo material de divulgação do seu livro: melhora na qualidade de vida de pessoas com Parkinson e demência, mais autoestima em adolescentes e menos sintomas de depressão e ansiedade em adultos.

A ligação entre hábito prazeroso e saúde do cérebro aparece em outras frentes: uma pesquisa recente associou cozinhar uma vez por semana a menor risco de demência.

Empresas, escolas e até hospitais já usam a dança como ferramenta de bem-estar, segundo Lovatt. Qualquer movimento ao som de uma música já ativa parte desses benefícios, sem exigir coreografia ou plateia.