O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, renunciou depois de perder a eleição de 13 de setembro por apenas três cadeiras no Parlamento. O resultado se soma a derrotas de governos na Alemanha e na Colômbia neste ano, mesmo padrão que chega ao Brasil nesta semana.

"O eleitorado está mais difícil de agradar: elege e descarta", escreve o colunista Humberto Saccomandi, do Valor Econômico, em análise publicada neste domingo (27).

Segundo o colunista, há um descasamento crescente entre a expectativa dos eleitores e a capacidade de entrega dos governos. O mesmo padrão, escreve ele, também apareceu no Reino Unido e no Peru, ambos com eleições em 2026.

Kristersson governava desde 2022 à frente de uma coalizão de centro-direita com apoio externo dos Democratas da Suécia, partido de extrema direita. O bloco vencedor, liderado pela social-democrata Magdalena Andersson, obteve 176 das 349 cadeiras do Riksdag, contra 173 do governo.

A diferença foi de cerca de 50 mil votos.

Os Democratas da Suécia, que davam sustentação ao premiê, caíram ao terceiro lugar e perderam 11 cadeiras.

Na Alemanha, o padrão apareceu antes, nas eleições regionais de 21 de setembro. O próprio chanceler Friedrich Merz (CDU) classificou o resultado como o pior de seu partido em anos, mas manteve o cargo.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU teve 4,9% dos votos e ficou fora do parlamento estadual, superada pela AfD, que venceu com 38,2%. Em Berlim, o partido de esquerda Die Linke terminou em primeiro lugar, com 24,9%.

Na Colômbia, o padrão foi além dos parlamentos regionais. O país trocou de partido na Presidência.

Em 21 de junho, o candidato de direita Abelardo de la Espriella derrotou Iván Cepeda, aliado do presidente de esquerda Gustavo Petro, por menos de um ponto percentual (49,66% a 48,70%).

Foi a eleição mais votada da história do país, com 12,9 milhões de votos para o vencedor.

O que muda para o eleitor brasileiro

Para o eleitor brasileiro, a série de derrotas ajuda a explicar por que as pesquisas mostram disputa apertada. Em 2026, governos de direita e de esquerda perderam força quase toda vez que foram às urnas, e o Brasil vota já neste domingo (4).

Um levantamento eleitoral recente mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) próximos também no cenário de 2º turno, a uma semana da votação.

O mesmo tipo de desgaste apareceu nas instituições nesta reta final de campanha. O Congresso Nacional aparece com reprovação recorde, segundo levantamento divulgado no mesmo domingo (27).

É o mesmo tipo de desgaste que já custou o cargo a líderes de três países em 2026, ainda que no Brasil ele recaia sobre candidatos, não sobre uma coalizão parlamentar.

O que acontece agora

O Brasil vota no primeiro turno neste domingo (4), com eventual segundo turno em 25 de outubro. Na Suécia, apenas 50 mil votos separaram governo e oposição — a margem que tirou Kristersson do poder após quatro anos.