Diplomatas dos EUA visitaram neste domingo (18) uma vila cristã palestina na Cisjordânia, dias depois de colonos israelenses atacarem diplomatas europeus e uma fotojornalista americana na mesma região. O episódio expôs uma escalada de violência que a ONU classifica como a mais intensa já registrada.
A visita ocorreu em Taybeh, vila cristã no território ocupado por Israel.
No sábado (17), diplomatas da Bélgica, França e Polônia foram atacados perto de Taybeh por colonos mascarados armados com barras de metal. Um dia antes, a fotojornalista Heidi Levine, do Washington Post, foi hospitalizada após ser agredida enquanto cobria a colheita de azeitonas palestina.
Dos EUA, visitaram a vila Riley Barnes e Brian Burch.
A ONU documentou mais de 1.600 ataques de colonos entre janeiro e agosto, afetando mais de 230 comunidades e deslocando mais de 2 mil palestinos. É uma média de seis incidentes por dia, a mais alta já registrada pelo organismo.
Segundo a Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos, os ataques cresceram 63% nos sete primeiros meses de 2026, ante o mesmo período do ano anterior. Em agosto, 164 palestinos ficaram feridos, entre eles 20 crianças.
A destruição chegou a 21,5 mil árvores no mesmo mês, a maioria oliveiras, fonte de alimento e renda que sustenta famílias no campo.
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Por que Israel e EUA divergem sobre os ataques
O governo de Israel atribui os ataques aos diplomatas a "manifestantes israelenses". A ONU e a maioria dos países, porém, classificam os assentamentos na Cisjordânia como ilegais pelo direito internacional. Israel rejeita essa leitura e chama o território de "disputado", não "ocupado".
O chanceler Gideon Saar e as Forças Armadas usaram essa versão. Já o premiê Benjamin Netanyahu, cuja coalizão corre risco de perder a maioria, adotou tom mais cauteloso.
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, pediu a prisão dos responsáveis pela agressão à fotojornalista americana. No mesmo domingo, porém, ele participou de uma conferência de colonos na Cisjordânia.
O presidente Donald Trump diz se opor à anexação da Cisjordânia por Israel. Sua administração, porém, exerceu pouca pressão sobre o governo de Netanyahu quanto aos assentamentos. Na prática, o discurso contra a anexação andou separado da pressão sobre os assentamentos.
O líder da oposição israelense foi direto ao criticar a falta de resposta do governo.
Terror judeu sob os auspícios do governo de Israel.
A tensão também aparece na política brasileira. No mês passado, Netanyahu convidou Flávio Bolsonaro a visitar Israel.
Dias depois, Netanyahu chamou o Brasil de "pequeno país" ao lembrar a posse de Bolsonaro, já em plena campanha eleitoral brasileira.
Em setembro, Lula citou Netanyahu e falou em "genocídio em Gaza" na ONU, ampliando o atrito entre os dois governos.
O ponto em aberto
Ativistas dizem que as autoridades israelenses pouco fazem para impedir os ataques de colonos, que seguem na impunidade. Com a ONU registrando seis ataques por dia, a pergunta que fica é até onde vai a pressão diplomática internacional, além de visitas e declarações.





























