O grupo jurídico Prerrogativas pediu à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral a apuração do contrato entre a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e a empresa Elytron. O pedido questiona se o serviço, apresentado como segurança digital, envolveu ferramentas de desinformação eleitoral.
O pedido foi protocolado neste domingo (18), a uma semana do segundo turno.
A Elytron é uma empresa brasileira de cibersegurança sediada em São Paulo. Segundo reportagem do The Intercept, a companhia ofereceu nos Estados Unidos ferramentas associadas a contas falsas, boatos e deepfakes. A campanha de Flávio declarou R$ 600 mil em pagamentos à empresa.
Os valores constam no DivulgaCand, sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral.
O PL registrou outra despesa de R$ 131,9 mil com a Elytron. Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do Prerrogativas, questionam a natureza do serviço contratado.
Publicidade
Se, por trás do discurso de segurança digital, houve contratação de uma máquina de desinformação para interferir na eleição brasileira.
Eles apontam ainda diferença entre os valores em notas fiscais e a despesa declarada na prestação de contas parcial da campanha.
O que diz a campanha de Flávio
Flávio Bolsonaro não nega a contratação da Elytron. Ele diz que o processo seguiu procedimentos regulares, com escopo definido, documentação fiscal e prestação de contas à Justiça Eleitoral. A campanha afirma que não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral.
A Elytron, por sua vez, diz repudiar qualquer associação do seu nome a informação falsa, a deepfakes ou a operações clandestinas de manipulação da opinião pública. A empresa diz atuar de forma defensiva, com consultoria em tecnologia e monitoramento de infraestrutura.
O caso ocorre no mesmo domingo em que Flávio Bolsonaro e Lula participam do primeiro debate do segundo turno, transmitido pela Band. No primeiro turno, Flávio liderou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Não é a primeira vez que a campanha de Flávio enfrenta questionamento sobre conteúdo digital. Em outubro, um vídeo falso sobre Flávio Bolsonaro saiu do ar após decisão do TSE.
Publicidade
Nesta semana, o TSE aprovou novas regras para a disputa digital na reta final do segundo turno.
O tribunal também mantém multa de R$ 500 mil por dia contra a Meta por descumprimento de decisão sobre o 2º turno.
O que acontece agora
O caso soma-se a outras disputas sobre ferramentas digitais no 2º turno. Cabe à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral decidir se abrem inquérito ou notícia de fato para apurar o contrato.





























