A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu neste domingo (18) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) transporte grátis e aviso individual a eleitores com local de votação trocado no 2º turno, em 25 de outubro, data da eleição presidencial.

A Justiça Eleitoral já mudou o endereço de 4.352 seções eleitorais para o 2º turno, 0,87% do total do país. A petição foi protocolada no sábado (17) pela coligação "Brasil Pronto Pra Mais".

A campanha argumenta que a comunicação das mudanças foi feita só por sites e aplicativos oficiais, o que teria contribuído para a abstenção de 21,08% no 1º turno.

A mudança se concentra em São Paulo, com 982 seções transferidas, seguido por Minas Gerais (514), Rio de Janeiro (431) e Bahia (312). No Rio, a troca de 277 locais afetou cerca de 670 mil eleitores sozinha, segundo a petição movida pela campanha de Lula.

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Os quatro estados concentram a maior parte das trocas no país, mas não são os únicos afetados. A lista inclui unidades em praticamente todas as regiões, por causa de reformas prediais, obras de acessibilidade e estragos de chuva recentes.

Quem precisa conferir o novo local de votação?

Precisa conferir quem mora nas regiões afetadas por chuva ou reforma predial, segundo o TSE. A consulta é gratuita pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do tribunal, ou pelo aplicativo e-Título, que também serve como documento na hora de votar.

A Justiça Eleitoral manteve, no 1º turno, 499.248 seções eleitorais no total do país. No 2º turno a estrutura segue igual, com a diferença de endereço só nas unidades com problema estrutural identificado.

No 1º turno, 1.904 urnas eletrônicas foram substituídas, 0,35% do total.

"É fato que são diversos os fatores que levam a este alto índice de não comparecimento às urnas, contudo, chamou a atenção o grande número de eleitores que não conseguiram votar devido à mudança dos locais de votação", afirmam os advogados da coligação de Lula, na petição ao TSE.

Em nota enviada à Folhapress, o TSE respondeu que a mudança de endereço não significa redução de seções nem prejuízo aos eleitores.

Segundo a Corte, a decisão sobre qual prédio recebe cada seção cabe a cada zona eleitoral, de acordo com a infraestrutura disponível, e não é centralizada pelo tribunal.

O que acontece agora

A petição da coligação de Lula ainda não tem resposta do TSE. A Corte pode decidir a qualquer momento antes do 2º turno, em 25 de outubro, quando o Brasil também elege governador no Distrito Federal e em cinco estados.

Os tribunais regionais já preparam a logística do 2º turno. No Distrito Federal, por exemplo, serão usadas 7,5 mil urnas eletrônicas, com 546 reservas para eventuais trocas no dia da votação.

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A abstenção recorde de 33 milhões de eleitores no 1º turno, a maior desde 1998, é hoje o fator que mais preocupa as duas campanhas antes do 2º turno.

A logística de voto virou parte da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, tanto quanto propostas e debates.

Esta matéria é desdobramento direto da mudança de endereço das seções eleitorais anunciada pelo TSE. O eleitor que não confirmar o novo endereço corre o risco de ir ao local antigo e não encontrar a seção no dia 25 de outubro.