Uma estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 12.220 novos casos de leucemia por ano no Brasil, em cada ano do período entre 2026 e 2028. Hematologistas ouvidos pela CNN explicam que o diagnóstico começa num exame simples: o hemograma.

O coordenador médico do Setor de Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein, João Guerra, disse ao CNN Sinais Vitais que pacientes com leucemias agudas costumam chegar ao pronto-socorro com infecções, sangramentos ou anemia.

É a partir do simples hemograma que a gente vai identificar alterações que levam a uma suspeita.

Disse o hematologista João Guerra. Segundo ele, a leucemia aguda faz a medula óssea liberar no sangue células jovens, chamadas células blásticas, que não deveriam circular ali e que o hemograma detecta.

Como o mielograma confirma o diagnóstico

Havendo suspeita na medula óssea, o próximo passo é o mielograma, uma punção óssea feita no osso da bacia ou do esterno. Hoje, segundo Guerra, trata-se de um procedimento simples, que coleta material para análise detalhada das células.

A análise inclui imunofenotipagem por citometria de fluxo, estudo citogenético (cariótipo) e biologia molecular, capazes de identificar a alteração no DNA da célula doente.

Guerra classificou o avanço como uma "grande revolução no diagnóstico e no tratamento" dos cânceres do sangue, por abrir caminho para o uso de drogas-alvo específicas para cada alteração genética.

A diferença entre um hemograma de rotina e um diagnóstico a tempo pode estar na velocidade com que o paciente procura o exame diante dos primeiros sinais.

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Segundo o INCA, a leucemia deve atingir 6.540 homens e 5.680 mulheres por ano no país, com taxa de 5,71 casos a cada 100 mil habitantes. Sem contar tumores de pele, é o 13º câncer mais frequente do Brasil.

O avanço no diagnóstico acompanha o tratamento. Em junho, o SUS passou a oferecer um novo tratamento para leucemia mieloide aguda em adultos.

A tendência é de ganho de sobrevida em outros tipos de câncer também. A sobrevida geral ao câncer subiu de 49% para 71% em 50 anos, embora varie por tumor.

Para os cânceres do sangue, a terapia CAR-T pode ser oferecida pelo SUS em até um ano, segundo reportagem da época.

Segundo Guerra, o alerta vale para sinais como infecções recorrentes, sangramentos sem explicação aparente ou anemia persistente, sintomas que levaram outros pacientes ao pronto-socorro antes do diagnóstico.