O presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira (5) que a eventual destruição de Los Angeles ou San Diego por um ataque do Irã seria um "preço muito pequeno a pagar" pela segurança americana. A fala, em comício no Nebraska, provocou revolta na Califórnia.

“Eles poderiam destruir uma cidade. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou Trump, ao justificar a guerra contra o Irã como necessária para “manter o mundo seguro”.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, chamou o presidente de “perturbado e perigoso” e lembrou que Trump já havia enviado a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para ocupar o estado.

A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, disse que “o papel de um presidente é proteger o país, não ameaçá-lo ativamente”. O prefeito de San Diego, Todd Gloria, publicou que sua cidade não era “dano colateral” nem “descartável”.

Por que a frase gerou tanta reação?

Segundo a Folha, não ficou claro de imediato o que Trump quis dizer com a frase, e a Casa Branca não respondeu a pedidos de comentário.

A ambiguidade é o que mais preocupa autoridades californianas: Trump não disse se o Irã teria meios reais de atacar o território americano, nem por que cidades governadas por democratas foram as citadas.

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Trump também afirmou que a guerra “terminaria de um jeito ou de outro”, sem detalhar como — na semana anterior, ele havia rejeitado a mais recente proposta de cessar-fogo do Irã, que previa reabertura do estreito de Hormuz em troca de concessões dos EUA.

O que isso tem a ver com o Brasil?

A guerra, que já dura sete meses, também é sentida fora dos Estados Unidos. No Brasil, o diesel subiu 7% em um mês e chegou a R$ 7,35, em parte puxado pela tensão no mercado internacional de petróleo.

Em setembro, o Irã ficou pela primeira vez sem exportar petróleo. Nos Estados Unidos, Trump já havia prometido retomar bombardeios ao Irã depois das eleições de novembro, sinal de que o fim rápido convive com a disposição de intensificar o conflito.

O ponto em aberto

Trump diz que a guerra está perto do fim, mas recusou a proposta de cessar-fogo do Irã e não apresentou um plano concreto para encerrar o conflito.

Até lá, o custo segue sendo medido de formas diferentes nos dois lados do mapa: político, em discurso de comício nos EUA; financeiro, no preço do diesel no posto brasileiro.