O BNDES aprovou nesta terça-feira (22) um financiamento de R$ 84,86 milhões para a fabricante de semicondutores HT Micron, de São Leopoldo (RS). O dinheiro vai modernizar a fábrica e financiar a produção local de chips de memória LPDDR5X, hoje majoritariamente importada.

O projeto usa recursos do Programa BNDES Mais Inovação e inclui pesquisa, modernização da planta gaúcha e o desenvolvimento da capacidade de montagem, encapsulamento e teste dos novos dispositivos de memória.

Para que serve essa tecnologia?

O LPDDR5X é usado em equipamentos que precisam de alto desempenho com baixo consumo de energia: smartphones, tablets, notebooks, sistemas automotivos e plataformas de inteligência artificial.

Com o projeto aprovado, a HT Micron passa a dominar no país processos avançados de montagem desses dispositivos e dos chamados uMCP, categoria hoje majoritariamente importada. A demanda mundial por chips e infraestrutura de IA é o pano de fundo do investimento.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, "a produção nacional reduz a dependência tecnológica e os custos logísticos, melhora a competitividade do mercado interno e desenvolve mão de obra local em atividades altamente qualificadas".

O que isso muda para o setor?

A HT Micron vai avançar numa categoria de produto hoje majoritariamente importada pelo Brasil. Cada nova geração de memória exige requalificação da fábrica que a produz, e é essa capacidade técnica que passa a ficar no país, não só o produto final.

Willyan Hasenkamp, executivo da HT Micron, resumiu o desafio: "As gerações de memória se sucedem rápido, e a cada uma delas a qualificação recomeça. É essa capacidade que fica no país".

O investimento acompanha uma corrida mais ampla por capacidade de computação: enquanto gigantes globais como SoftBank e OpenAI bancam aportes bilionários em infraestrutura de IA, o Brasil tenta garantir uma fatia da cadeia de produção de componentes.

O que acontece agora

O financiamento já foi aprovado pelo BNDES, e a HT Micron inicia a modernização da fábrica em São Leopoldo com o novo aporte. O banco não detalhou prazo de conclusão do projeto nem número de empregos gerados.