A embaixadora do Brasil na Venezuela, Gilvânia Maria de Oliveira, se reuniu nesta quinta-feira (24) em Caracas com o ministro da Defesa venezuelano, major-general Gustavo González López, para discutir segurança na fronteira de 2 mil km entre os dois países.

De acordo com o Metrópoles, nem o Ministério da Defesa da Venezuela nem a Embaixada do Brasil em Caracas detalharam o conteúdo das discussões. A nota oficial resumiu o encontro como parte da agenda bilateral de cooperação entre os dois países.

"A consolidação de uma região de paz e fraternidade se fortalece com diálogo franco, respeito e trabalho conjunto", disse González López após o encontro.

A fronteira entre Brasil e Venezuela virou, nos últimos anos, rota para o crime organizado e o tráfico de drogas. A reunião reabre um canal formal de segurança bem na fronteira que hoje concentra o avanço de facções criminosas rumo ao Brasil.

Sob que governo venezuelano a reunião aconteceu

A reunião ocorre sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu a Presidência da Venezuela em 5 de janeiro, dois dias depois de forças dos Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro e levá-lo a julgamento por tráfico de drogas e armas.

Maduro está preso nos Estados Unidos desde janeiro e chegou a divulgar fotos da cela em agosto. Já Delcy Rodríguez tem mantido contato direto com Washington: se encontrou com Donald Trump na ONU nesta semana para tratar do petróleo venezuelano.

O que preocupa na fronteira com Roraima

A fronteira entre Brasil e Venezuela virou rota de facções que atuam nos dois lados. O Tren de Aragua, organização criminosa venezuelana, já opera em 13 dos 15 municípios de Roraima, segundo levantamento da Gazeta do Povo.

Em julho, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Roraima (FICCO/RR) prendeu quatro pessoas e apreendeu quase 8 kg de drogas, armas e dinheiro na região. A crise venezuelana também alimentou a imigração cubana para Roraima nos últimos meses.

O que acontece agora

Nem Brasília nem Caracas divulgaram uma data para um novo encontro sobre o tema.

A reunião desta quinta acontece na mesma semana em que o governo brasileiro recusou aderir ao Escudo das Américas, mas topou ajudar os Estados Unidos no combate a facções criminosas que operam na região.