Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia lançaram neste domingo (20) um manifesto por multilateralismo antes da Assembleia-Geral da ONU em Nova York. Segundo o Poder360, o texto cria o P4M, sigla em inglês para Parceiros para o Multilateralismo, e defende reformas nas instituições globais.
O documento é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo premiê canadense Mark Carney e pelo presidente queniano William Ruto.
A iniciativa saiu no Financial Times às vésperas da semana em que Lula reduziu a agenda na ONU.
Segundo o Poder360, os quatro líderes afirmam que o P4M não cria um bloco fechado nem uma nova burocracia internacional. A proposta é funcionar como um espaço aberto para países de regiões diferentes atuarem juntos por reformas na ONU e em outros organismos multilaterais.
O movimento tenta ocupar um meio-termo: articulação política sem virar aliança formal. Esse desenho permite reunir Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia em torno de temas comuns, mesmo com interesses econômicos e estratégicos diferentes.
O que o manifesto defende?
O manifesto defende reformas para tornar a ONU e outras instituições multilaterais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. Segundo a Folha, o texto trata a cooperação internacional como resposta a conflitos, mudanças climáticas, pandemias, inteligência artificial e instabilidade financeira.
O documento descreve o cenário internacional como um paradoxo. Ao mesmo tempo em que a interdependência cresceu, a fragmentação política e a polarização também avançaram, segundo o resumo do Poder360.
Os números dão a escala do argumento. O manifesto cita US$ 35 trilhões em comércio mundial em 2025, cerca de 6 bilhões de pessoas com acesso à internet e 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946.
O texto também aponta US$ 2,9 trilhões em gastos militares globais. Para os signatários, desafios como clima, pandemias, deslocamentos em massa e inteligência artificial não podem ser enfrentados por um país isolado.
Por que isso importa para o Brasil?
Isso importa para o Brasil porque Lula deve levar o multilateralismo ao centro de seu discurso na Assembleia-Geral, segundo o UOL. A TV Sim Brasil já mostrou que o governo lançou uma frente por reforma da ONU antes da viagem.
A pauta também conversa com a sucessão e a crise interna do sistema das Nações Unidas. A TV Sim Brasil mostrou que Guterres vive fim de mandato com indefinição sobre a próxima liderança da organização.
No artigo do Financial Times, os autores afirmam que soberania e interesses nacionais são mais bem protegidos pela ação coletiva. É a tese central do P4M: a cooperação não substitui o Estado, mas tenta dar escala a problemas que ultrapassam fronteiras.
O que acontece agora
O que acontece agora é a abertura da Assembleia-Geral da ONU, em que Lula fala na terça-feira (22). O manifesto funciona como cartão de visita diplomático do grupo antes dos discursos e das reuniões em Nova York.






























