Os Correios encerram nesta sexta-feira (25) a greve em São Paulo, depois de o TST decidir que a paralisação não foi abusiva. Mas a crise segue aberta: a estatal projeta R$ 10 bilhões de prejuízo em 2026, e o Acre continua parado.
Em São Paulo, o retorno ao trabalho foi decidido em assembleia na noite de quinta (24), depois que o TST julgou o caso e travou a decisão sobre as entregas, negando o pedido dos Correios de multar os sindicatos em R$ 100 mil.
"Ainda não há termos ou critérios definidos para a compensação", disse o vice-presidente do Sintect-SP, Rogério Bueno, sobre os próximos passos da negociação.
Por que a crise não some com o fim das greves?
Porque o problema é financeiro, não só trabalhista. Os Correios tiveram R$ 3,1 bilhões de prejuízo no 1º trimestre de 2026, 82,35% a mais que no mesmo período de 2025.
No 2º trimestre, o prejuízo somou mais R$ 2,4 bilhões. A projeção interna da estatal é fechar o ano com R$ 10 bilhões no vermelho, quase o dobro do buraco de 2025.
Para cobrir o rombo, os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões com aval do Tesouro em agosto. Em setembro, pediram garantia para mais R$ 7 bilhões com bancos privados.
A empresa também abriu dois programas de demissão voluntária neste ano. O primeiro, em fevereiro, mirava 10 mil saídas e atraiu só 3,1 mil adesões, 31% da meta.
O segundo, em agosto, oferece indenizações de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil. Vale para até 7 mil funcionários das cerca de mil unidades que vão fechar.
O que os trabalhadores dizem
Para a Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios (Fentect), o ajuste é injusto. "O que está em curso é um plano de destruição dos Correios", disse o secretário-geral da entidade, em nota.
No Acre, onde a greve começou em nove estados e continua, o sindicato local cobra uma solução que não recaia só sobre a categoria.
"Houve um desrespeito nas negociações por parte da empresa que culminou com a deflagração dessa greve", afirmou a entidade ao g1, citando cortes no plano de saúde e no reajuste salarial, hoje limitado à reposição da inflação.
A crise também chegou à Caixa Econômica Federal: no Acre, o banco entrou na Justiça pedindo um dissídio coletivo depois de uma tentativa de conciliação fracassar. Em nota, a Caixa disse que apresentou propostas que incorporaram demandas dos trabalhadores, mas não houve consenso.
Já era esperado que o impasse fosse parar nos tribunais: dias antes, a própria empresa havia decidido apostar no TST em vez de seguir negociando direto com a categoria.
O ponto em aberto
O primeiro PDV dos Correios neste ano ficou em menos de um terço da meta de desligamentos, sinal de que fechar unidades e cortar pessoal esbarra na resistência da própria categoria.
Reduzir a rede de agências corta custo, mas tira de cidades pequenas a única opção de logística postal que muitas têm.
Enquanto a decisão nacional sobre a greve dos Correios não sai, o impasse entre cortar a folha e manter o atendimento segue sem resposta.





























