A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quinta-feira (24) o investigador Rafael Juergen Schult, suspeito de integrar o grupo que agrediu e sequestrou um homem na Zona Leste da capital, dentro do porta-malas de um carro que imitava uma viatura policial.

Schult é investigador de 2ª classe, lotado no 78º Distrito Policial (Jardins). Ele compareceu à sede da Corregedoria acompanhado de advogados, onde foi detido, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

O preso será encaminhado ao Presídio da Polícia Civil e permanecerá à disposição da Justiça para audiência de custódia. As investigações prosseguem sob sigilo decretado pelo Poder Judiciário.

A vítima segue desaparecida. Ela foi abordada por um grupo armado na noite de 10 de agosto, numa travessa da Rua Inês Monteiro, no bairro Artur Alvim. Câmeras da região registraram a ação por volta das 22h20.

Imagens de câmeras de segurança mostram a vítima sendo agredida, algemada e colocada no porta-malas de um carro preto que tinha luzes parecidas com as de um giroflex, mas circulava com placa falsa.

O que se sabe sobre o grupo

A prisão temporária de Schult havia sido decretada em agosto, após ele ser identificado nas imagens, mas buscas em sua casa não o localizaram na época. A Justiça renovou o mandado nesta semana.

A Corregedoria apura se Schult liderava um grupo armado com características de milícia, suspeito de usar falsas viaturas para abordar, sequestrar e extorquir empresários e pessoas apontadas como criminosas, segundo o programa Brasil Urgente.

É o segundo caso do tipo na Polícia Civil paulista em pouco mais de um mês. Na semana passada, outro inquérito ligou uma delegada de SP ao PCC.

O uso de carros disfarçados de viatura torna o caso mais grave. A farsa policial pode ter facilitado a abordagem de vítimas que confiariam numa autoridade de verdade.

Na casa dos pais de Schult, os investigadores encontraram cédulas falsas e dinheiro que, segundo a investigação, seriam usados para comprar drogas. O padrão lembra o de outra milícia investigada pela PF na Baixada Fluminense, que misturava agentes de segurança e dinheiro ilegal.

O que acontece agora

Em 22 de agosto, a Corregedoria já havia prendido outro policial civil, Milton Massaru Nakayama, apontado como integrante do mesmo grupo. É a mesma Corregedoria que, semanas antes, prendeu sete suspeitos de esquema de propina na corporação.

A Justiça decretou ainda as prisões do irmão de Schult e de um informante. Os dois seguem foragidos, e as investigações continuam sob sigilo.