A Air France-KLM elevou a estimativa de gasto com combustível para US$ 9,2 bilhões em 2026, acima da projeção de US$ 8,9 bilhões informada em julho. O grupo franco-holandês atribui o aumento à tensão no Oriente Médio, que mantém o petróleo em patamares elevados.

Apesar do custo maior, a empresa lucrou mais no terceiro trimestre. O lucro operacional ajustado subiu para 1,35 bilhão de euros, ante 1,22 bilhão um ano antes, superando o consenso de analistas de 1,08 bilhão.

O lucro líquido passou de 730 milhões para 908 milhões de euros.

Por que o combustível ficou mais caro

As companhias aéreas enfrentam custos altos desde que EUA e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro. O ataque abriu um período de forte volatilidade no petróleo e interrupções no tráfego do Estreito de Ormuz.

O movimento já havia empurrado o combustível de avião para alta de 13,9% em setembro, e o Brent chegou a US$ 112 após ataque houthi à Aramco, em outubro.

A Air France-KLM fez hedge de 62% do consumo de combustível do quarto trimestre e de 54% para o ano que vem. A empresa tem mitigado parte do impacto aumentando sobretaxas por bilhete.

Também reduziu gastos discricionários e pausou contratações não operacionais. A KLM, que integra o grupo, vai reorganizar operações de solo, carga, engenharia e manutenção.

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O que outras companhias estão fazendo

A alemã Lufthansa, que neste mês venceu a disputa para ficar com 44,9% da TAP, ficou mais cautelosa com a projeção do ano por causa do combustível. Já a irlandesa Ryanair disse que vai elevar tarifas e revisar custos.

Para 2026, a Air France-KLM espera capacidade cerca de 2% acima da de 2025, abaixo da projeção anterior de 2% a 3%. Os custos unitários devem subir por volta de 1%.

A demanda por viagens segue forte, sobretudo em rotas diretas para Ásia, Índia e Leste da África, com passageiros evitando conexões em hubs do Golfo.