O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, defendeu nesta terça-feira (27) a manutenção da pasta como estrutura independente dos Transportes no próximo mandato de Lula. Segundo ele, o setor tem carteira de mais de R$ 150 bilhões em investimentos.

Em entrevista após a abertura do 13º Encontro Anual da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília, o ministro, que comanda a pasta desde março, disse não ter conhecimento de discussões no governo sobre uma eventual fusão das pastas.

"O Ministério de Portos e Aeroportos ganhou um tamanho e uma importância para a parte pública de infraestrutura que merece ser preservado", disse França. A configuração atual, separada dos Transportes, veio do desmembramento do antigo Ministério da Infraestrutura, no governo Bolsonaro.

O que está em jogo na nova Esplanada?

Está em jogo o desenho do governo que assume em janeiro de 2027. Lula voltou a Brasília um dia após a reeleição e já trata da reorganização da Esplanada, chamando ministros ao longo da semana para discutir o fechamento do ano em cada pasta.

O antecessor de França no cargo, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que comandou o ministério antes de ser substituído em março, está cotado para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) no novo mandato. É a peça que mostra como a nova Esplanada ainda está em aberto.

Ainda no 2º turno, a campanha de Lula teve de desmentir rumores sobre troca de ministros. Outros nomes estão em discussão, como o vice-presidente Geraldo Alckmin para a Fazenda e o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).

França defende que a pasta mantenha integração com o Ministério dos Transportes e com o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), hoje vinculado à Casa Civil.

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Os dois ministérios construíram juntos, em agosto, o PNL (Plano Nacional de Logística) 2050, que projeta R$ 1,2 trilhão em investimentos em transporte até 2050, e ajudaram a buscar investimento chinês para portos e aeroportos.

"Na gestão pública, especialmente no setor de infraestrutura, os projetos têm que ter continuidade", afirmou o ministro, ao avaliar que a reeleição de Lula facilita a conclusão da carteira atual.

O que acontece agora

Lula deve reunir os ministros nesta semana para fechar o balanço do ano em cada pasta, antes de decidir a composição final da Esplanada de 2027. Até lá, segundo França, o governo não abriu discussão formal sobre fundir Portos e Aeroportos aos Transportes.