A Azul fechou neste sábado (24) um novo financiamento de até R$ 2 bilhões, com garantia da União via Fundo de Garantia à Exportação (FGE), para pagar combustível de aviação. É o terceiro crédito bilionário que a companhia toma em menos de três meses.

Segundo fato relevante publicado pela companhia, os recursos são destinados exclusivamente ao pagamento de combustível para a operação doméstica regular, numa operação intermediada pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF).

O crédito de hoje é separado da linha de R$ 8 bilhões que o BNDES abriu em julho para as aéreas. Agora a empresa recorre a um fundo diferente, o FGE, voltado a garantias de crédito.

Daquela linha do BNDES, a Azul já havia recebido uma parcela de R$ 1,3 bilhão em setembro para trocar uma dívida mais cara.

Por que o combustível pesa tanto para a Azul?

Segundo o CEO John Rodgerson, as aéreas brasileiras ficam atrás de Chile, México e Colômbia "por causa do combustível mais caro do mundo, da maior judicialização e da falta de acesso ao crédito". A guerra no Oriente Médio custou R$ 5,2 bi às aéreas brasileiras.

Como está a saúde financeira da Azul?

A Azul saiu da recuperação judicial nos Estados Unidos em fevereiro, depois de reduzir a dívida de arrendamento de aeronaves em quase 40%, de US$ 3,4 bilhões para US$ 2,2 bilhões, e cortar outros US$ 1,1 bilhão em empréstimos.

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A alavancagem deve cair dos atuais 2,5 vezes para 0,8 vez em 2029, segundo a companhia, o que ajuda a explicar por que o mercado segue financiando a Azul.

O ponto em aberto

A Azul já tomou três linhas de crédito público diferentes neste ano, todas para cobrir o combustível. Em troca dos empréstimos do BNDES, ficou proibida de distribuir dividendos acima do mínimo obrigatório enquanto durarem as operações.

Falta saber se esse apoio segue disponível na mesma escala se um novo choque de preço aparecer antes de a dívida cair como a companhia projeta.