Uma mesma pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), ajuda a explicar onde Lula (PT) ganhou terreno nas últimas duas semanas: exatamente nos grupos que mais aprovam três medidas recentes do governo, como a restrição às bets e o aumento do Bolsa Família.
Na comparação com o levantamento de 21 de setembro, Lula avançou na mesma rodada da Quaest entre mulheres, eleitores de renda mais baixa, beneficiários do Bolsa Família e católicos. Em nenhum outro recorte a alta foi tão consistente.
Entre católicos, ele foi de 43% para 48%. Entre mulheres, de 37% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) caiu de 32% para 29% no mesmo grupo — a distância entre os dois passou de 5 para 11 pontos.
Na faixa de renda familiar de até dois salários mínimos, Lula subiu de 49% para 52%, com Flávio estável em 23%. Entre beneficiários do Bolsa Família, a alta foi de 1 ponto, de 52% para 53%, dentro da margem de erro do recorte.
Entre os homens, o movimento foi o oposto: Lula caiu de 39% para 37%, e Flávio subiu de 34% para 39%. Os dois ficaram tecnicamente empatados nesse grupo.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de 2 pontos e confiança de 95%. A pesquisa foi contratada por Globo e O Globo, com registro no TSE sob o código BR-06520/2026.
O que explica o avanço nesses grupos
A mesma pesquisa avaliou três medidas anunciadas pelo governo: 62% apoiam a restrição às apostas on-line, 59% aprovam o reajuste de 15% do Bolsa Família (de R$ 600 para R$ 691) e 58% são a favor da gratuidade de canetas emagrecedoras pelo SUS.
As mulheres aprovam mais as três medidas que os homens: 64% delas apoiam a restrição às bets (61% entre eles), e 62% aprovam tanto o reajuste do Bolsa Família quanto as canetas gratuitas, contra 56% e 53% entre os homens.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, o aumento da vantagem de Lula entre mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família "pode estar associado às medidas".
Nem toda medida aprovada está livre de contestação: a Anvisa investiga 13 casos de cegueira ligados a canetas emagrecedoras, divulgados um dia antes da pesquisa que mediu 58% de aprovação à política.
A campanha de Lula já vinha mirando esse público antes da pesquisa: em agosto, ele fez ato com 5 mil mulheres em Belo Horizonte, e uma coordenadora dedicada passou a mobilizar o voto feminino pelo país.
O ponto em aberto
A pesquisa mostra correlação, não causa. O avanço de Lula nesses grupos é um dado; a leitura de Nunes, uma hipótese entre outras. Falta saber se o efeito resiste até o 1º turno, ou se é só o pico de uma semana de anúncios.
































